Um homem, um beagle

Para o ativista o ser humano não possui mais dignidade que um animal

Ontem, assisti um vídeo sobre o caso da invasão do Instituto Royal, onde um daqueles ativistas, que militam em defesa dos bichos, soltou algumas pérolas. O cara, bem afeiçoado, apresentado como presidente de uma dessas ONG's de defesa dos animais, com um jeitão até bem articulado, disse algumas coisas que você, leitor, que já se mostrou mais sagaz que eu em muitas observações, vai perceber rapidamente as incongruências em suas palavras.

Ele, como se estivesse falando a coisa mais coerente do mundo, soltou essa:

“Para aqueles métodos que ainda não existe uma forma substitutiva já desenvolvida, cabe à Ciência desenvolver. Então, o fato de não haver essa solução não significa que você pode continuar alegando o mal necessário”.

Vamos pensar juntos:

Para que servem as pesquisas em animais? Para que se desenvolvam medicamentos que possam ser aplicados em seres humanos. Conclui-se, portanto, que se não há outras formas possíveis, senão esses testes, isso significa que, se as pesquisas não forem feitas, não haverá o desenvolvimento de novos medicamentos. Não havendo novos medicamentos, as pessoas, simplesmente, sofrerão com os efeitos das doenças que não possuem remédios eficazes que as combatam. Resumindo, sem testes em animais, sofrem os humanos.

Mas para o ativista isso não importa. Como ele mesmo disse, o teste com animais para salvar vidas sequer pode ser chamado de mal necessário. Ora, um mal necessário é, simplesmente, a aceitação de uma perda em virtude de um bem maior. No caso, a perda seria o uso de alguns animais em testes de pesquisas. O bem maior, seria a possibilidade de salvar milhares de vidas humanas. Mas como ele afirmou, não se pode alegar isso. E sabe por que? Porque para o ativista o ser humano não possui mais dignidade que um animal. Para ele, um animal e um homem são exatamente iguais. Se ele não suporta o sacrifício de alguns animais em favor da humanidade é porque a humanidade, segundo sua concepção, no mínimo, não deve valer mais que um beagle.

Mas não tem problema, pois o ativista, obviamente, tem a solução para o impasse. Se não existem testes possíveis, senão em animais, que se criem esses testes; que a Ciência invente uma fórmula para isso.

E aqui está o segundo pressuposto de um típico pensamento moderno: a crença que a Ciência é como uma deusa que pode trazer à realidade o que ela bem entender. Claro que apenas uma mente herdeira de séculos de culto à Ciência poderia acreditar em uma coisa dessas. Mas para o ativista isso parece a coisa mais natural do mundo. Basta a deusa estralar os dedos e as coisas são trazidas ex nihilo à existência.

Você entende porque é tão difícil um acordo com qualquer tipo de militante bêbado com a ideologia destes tempos? Seus pressupostos são tão tortos, sua maneira de pensar é tão invertida, que ao invés de perder tempo tentando convencê-los do óbvio, estou certo de ser mais compreendido quando falo com meus cachorros.

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