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Excesso de Vozes nas Redes Sociais

As redes sociais nos têm feito muito mal. Nossa estrutura humana – psíquica e física – não é capaz de processar tantas informações, principalmente da maneira desenfreada como as consumimos. É um verdadeiro ataque silencioso ao nosso espírito.

Tenho plena convicção de que muito da depressão, pensamentos suicidas, sensação de falta de sentido e um desânimo mórbido são consequências dessa exposição inconsequente.

O ser humano sempre absorveu uma quantidade limitada de dados. Mesmo com os meios de comunicação em massa, quando houve um aumento exponencial das informações, nada se compara ao que temos hoje. Somos bombardeados pelos conteúdos mais diversificados, que se alternam em segundos. Abarrotamos nossa alma com todo tipo de ideias, pensamentos, conselhos, notícias, estudos, informações, piadas, imagens e sensações.

Tudo a que nos expomos, querendo ou não, ingressa em nosso espírito. Independentemente da qualidade desses conteúdos, nosso cérebro tentará processar essas informações, ainda que nada faça sentido para ele. Claro que essa tarefa lhe é hercúlea. Como consequência, pensamentos e sentimentos afluirão anarquicamente de dentro de nós, sem que sequer percebamos.

Nós não temos controle de tudo o que absorvemos. Em geral, somos meros pacientes nesse processo, colaborando muito pouco com ele. Como nossa mente vai processar tudo acaba sendo uma incógnita. Pode ser que crie sínteses criativas e inteligentes, ou gere neuroses, ideias negativas, ilusões esquizóides e obsessões. Por isso, tenho convicção que muito dos sentimentos e pensamentos negativos que brotam de dentro de nós são fruto dessa relação irresponsável com as redes sociais.

Pouca gente irá falar sobre isso, porque muitas delas ganham muito com essa dependência que as redes sociais provocam. Mesmo assim, não sou contra seu uso, pois reconheço as possbilidades que oferecem. Apenas proponho a ponderação em relação ao seu consumo, lembrando sempre de que não nos há nada mais caro do que a nossa sanidade.

Nosso baile de máscaras

Uma moça colocou em seu instagram uma foto de comida saudável, acompanhada da seguinte frase: “firme em meus objetivos”. Porém, logo no primeiro comentário, surge seu esposo, dizendo: “a porção de fritas com bacon de ontem à noite que o diga”.

Isso é rede social, meus amigos: não sobrevive a um sopro sequer da vida real.

Ainda assim, há muita gente usando as redes sociais de maneira equivocada, dando a elas a credibilidade que não deveria dar. Olham para os perfis e suas postagens como se aquilo representasse alguma verdade; como se ali houvesse alguma sinceridade.

O resultado óbvio é a frustração, pois enquanto acompanham o exibicionismo das pessoas mais inteligentes, mais ricas, mais fortes, mais bonitas, mais bem-sucedidas, mais saudáveis e mais admiradas, ao mesmo tempo sentem-se burras, pobres, fracas, feias, fracassadas, doentes e rejeitadas.

É um efeito inescapável. Julgar o próprio valor com base no que vemos nos outros sempre foi nosso esporte preferido. No fundo, todos temos um pouco de Madame Bovary, lamentando nossa vida medíocre enquanto inveja o glamour alheio.

Na verdade, precisamos das comparações. Em tudo delas dependemos. Se vamos vender um carro, precisamos saber qual o preço dele no mercado. Ser considerado inteligente depende da época em que se vive. Até a percepção da beleza varia com o tempo e lugar. Sendo assim, as redes sociais acabam sendo um tipo de parâmetro para as pessoas analisarem a si mesmas, afinal, quem se encontra ali parece alguém de verdade, gente como eu e você, que não tem pudores de abrir sua vida para o mundo.

Porém, nisto encontra-se o erro: usar para efeito de comparação algo que não é real. Afinal, redes sociais são mera ilusão. Nada, praticamente nada, do que vemos nela é verdadeiro. Nem mesmo as fotos tiradas pela sua prima, nem o texto escrito pelo seu professor, nem no que sua mãe coloca ali dá para confiar.

Nada, em uma rede social, é espontâneo porque ninguém consegue ser espontâneo quando se expõe socialmente. Nossa relação com a sociedade nunca foi, em nenhuma época, sincera. Sempre quando foi necessário expor-se para a sociedade, as pessoas adornaram-se com suas fantasias. Nos bailes antigos, nos coquetéis, nos casamentos, nas festas de aniversário, nas reuniões na empresa, ninguém jamais é absolutamente espontâneo nesses momentos.

Nas redes sociais não é diferente. Elas apenas trouxeram a possibilidade de apresentar-nos diante da sociedade sem sair de casa. No entanto, a dinâmica permanece a mesma. Continua sendo uma forma de mostrarmos para o mundo uma versão idealizada de nós mesmos, uma versão aceitável, uma versão vendável, uma versão que permita que as portas da sociedade se abram para que possamos entrar por elas e conquistar o que nós queremos.

Essa necessidade de assumir uma persona social existe até como forma de auto-proteção. É na sociedade que as oportunidades surgem, que os negócios aparecem, que precisamos ganhar a simpatia até para podermos sobreviver. Expor-se nela como somos, com todos os nossos defeitos e fraquezas seria uma medida estúpida, quase um suicídio.

É verdade que, de vez em quando, alguns desavisados ou heróicos acabam expondo seus lados reprováveis. No entanto, isso é exceção. É o resultado da ampliação do acesso ao instrumento. E tal atitude acaba cobrando seu preço. A regra porém é a falsificação. A norma é o fingimento.

Por isso, referenciar-se nas redes sociais para julgar a própria vida é um erro. Quem faz isso acaba deprimido, frustrado, decepcionado. Olhar para si mesmo após acreditar que o que aparece em uma rede social é verdadeiro é como querer castigar-se propositadamente. É quase masoquismo.

Obviamente, não é preciso abandonar as redes sociais, mas tratá-las conforme sua verdadeira natureza: uma fantasia, uma ilusão, um espaço de diversão descompromissada. As redes sociais são o nosso baile de máscaras e cada um veste a sua para viver o seu próprio momento de relevância e alegria.

A morte da ideologia

As ideologias estão morrendo.

Porque elas vivem da mentira, e não se sustentam em um mundo onde há liberdade de opinião e onde as ideias correm livremente.

Isso porque toda ideologia, para sobreviver, precisa negar a realidade e controlar as as narrativas, de maneira que suas fantasias sejam suportadas. 

Quando, porém, as ideias e as opiniões vivem soltas, como tem acontecido em nossa era digital, o controle das narrativas se torna impossível

Uma mentira é desmentida quase que imediatamente; 

Ninguém mais é o dono da versão oficial.

É por isso que as ideologias estão morrendo.

Elas sempre viveram de manipular as pessoas, contando suas mentiras e vendendo suas ilusões.

Agora, isso não funciona mais.

Idiotices juvenis

Quando eu era menino, tinha minhas ideias esdrúxulas sobre sociedade e politica. Acreditava que daquela mente fértil poderiam sair soluções definitivas para o mundo. Porém, eu possuía uma vantagem em relação aos jovens de agora: aquelas propostas não ousavam, nem podiam, sair do âmbito de minha própria cabeça, quiçá de algum caderninho jamais lido por ninguém além de mim mesmo. Isto foi muito bom para mim e para o mundo. Permanecemos ambos seguros da aplicação de tanta estupidez. Hoje, de forma diferente, qualquer moleque escreve suas idiotices nas redes sociais e todo o mundo pode ler. O pior é que, algumas vezes, são até levados a sério.