Opinião comedida

Quem se apressa a expor seus pensamentos, geralmente, não percebe que o que é dito não volta e, a partir do momento que é dito, aquilo passa a ser a SUA opinião. Uma vez exposta, essa opinião lhe marca, como um carimbo bem no meio da sua testa. Ao ter definida uma opinião como sua,…

Crítica cômoda

Destruir é fácil; criticar é confortável. Colocar-se na posição de quem vive a acusar os erros alheios é como apontar um canhão de dentro de uma casamata. Há pouco risco e faz-se muito estrago. O pensamento crítico, tão exaltado, muitas vezes, é apenas o apontamento do óbvio. É que o erro, em boa parte dos…

Uma cultura esquizofrênica

Há características culturais que se assemelham muito a patologias. Costumamos ver estas como anormalidades que se manifestam nas pessoas individualmente. Porém, já escrevi sobre como uma cultura pode apresentar, por exemplo, características psicopáticas. Agora, quero mostrar que ela também pode ser esquizofrênica. A característica marcante da esquizofrenia é a defesa obsessiva do self. O esquizofrênico…

O cerne da religião

Quando a religião deixa de ser a abertura para a verdade, ela já não mais faz diferença. É apenas mais um meio, entre tantos, para a satisfação da alma, para seu consolo, para a tentativa de encontrar paz. Quando ela se transforma nisso, não existe mais diferença entre uma reunião religiosa e um workshop motivacional…

Eterno estudante

De todas as minhas atividades, aquela que mais me define é a de estudante. Se um dia eu parar de estudar, é porque enlouqueci ou morri mesmo. Eu digo isso porque conheço gente que acha que não precisa estudar mais; que tem um momento da vida que importa fazer, conquistar. Que os estudos se encaixam…

Como se (não) fossem morrer

Dizem que o certo é viver como se fôssemos morrer amanhã. Sêneca, e depois Montaigne, diziam que viver é exatamente isso: aprender a morrer. O mártir tornou-se o ideal de conduta. Aquele que despreza a morte o exemplo a ser seguido. Só que quando eu observo o que a quase totalidade dos homens construiu, percebo…

O que nos amedronta

Não fosse o túmulo vazio, estaria eu contando meus dias, aguardando apenas o enlace definitivo de uma vida sem sentido. Mas o corpo daquele que esperavam estar lá deixou, vivo, a frieza do sepulcro, anunciando ao universo que a temida morte estava, enfim, derrotada. A partir daí, o que nos amedronta? Absolutamente nada! O terror…