Gramsci devedor de Descartes

Sem dúvida, Gramsci obteve mais sucesso de que seus irmãos revolucionários. Enquanto estes, apesar de tomarem rapidamente o poder e até permanecerem nele por um bom tempo, viram ruir suas conquistas, com um castelo de cartas destruído por um sopro, o gramscismo permanece em sua lenta e gradual marcha pela hegemonia cultural e política, fortalecendo-se a cada dia, sedimentando cada vez mais suas bases.

Se destruir o comunismo fora uma questão de força e inteligência, acabar com a mentalidade formada por décadas de aplicação do método gramscista é algo bem mais complicado, pois envolve a capacidade de penetração na alma humana e alteração de suas visões e até percepções.

Mas Gramsci não obteria nada se já não houvesse, na mentalidade da sociedade, algum tipo de veneno, que servisse como preparador do espírito humano para recebê-lo. E tal foi ministrado, ainda no século XVII, por Descartes, que o mundo Ocidental moderno reconheceu como um pai.

Foi o pensador francês que, ao colocar o indivíduo, em sua subjetividade, em posição de vantagem em relação às conquistas coletivas da humanidade, na busca da verdade, ainda que tivesse a intenção de prepará-lo para o conhecimento, serviu mais para deixá-lo exposto à manipulação de quem soubesse entender a fraqueza do ser humano.

E parece até que Gramsci guardou a lição de Descartes, que chegou a escrever que não seria razoável que um partido tencionasse reformar um estado, mudando-o em tudo desde os alicerces e derrubando-o para em seguida reerguê-lo; nem tampouco reformar o corpo das ciências ou a ordem estabelecida nas escolas para ensiná-las (…) O melhor a fazer seria (…) retirar-lhes essa confiança, para substituí-las em seguida ou por outras melhores, ou então pelas mesmas, após havê-las ajustadas ao nível da razão.

E quem pode negar que a mais eficiente ação gramscista não foi mesmo minar a confiança que as pessoas possuíam em suas tradições, costumes e até em suas próprias percepções naturais, para depois insuflar nelas suas loucuras ideológicas? Ela, aos poucos, abalou tudo, porém, não oferecendo aquilo que, idealmente, Descartes pretendia, que era um suposto ajuste do pensamento à boa razão, mas, sim, deixando as pessoas abandonadas, à mercê de qualquer coisa que se lhes oferecesse como solução para o vácuo deixado.

Foi, então, nessa brecha aberta que começaram a passar as novas ideias, que, contudo, não passavam das mesmas velhas ideologias, apenas travestidas de novidade. Foi, assim, que Gramsci parece ter vencido, porém não sem ter de devotar a Descartes o louvor por ter preparado a alma humana para recebê-lo.

 

Manipulação em pele de respeitabilidade

lobo-em-pelo-de-cordeiroOs grandes veículos de comunicação estão profundamente comprometidos com uma visão de mundo completamente diferente da maioria das pessoas. E eles não se contentam em apenas acreditar de forma diversa, mas, cientes de suas força, usam seu alcance para causar verdadeiras mudanças na sociedade. Eles apenas não são mais explícitos quanto a isso, pois, se fossem, perderiam seu poder de influência. Como concluiu o professor Leon Festinger, depois de uma das suas experiências: “Se as pessoas não esperam que uma fonte de informação produza cognição dissonante, a informação terá maior impacto“. Portanto, ninguém deve se iludir com alguma fachada de respeitabilidade que alguns desses jornais e revistas ainda pareçam ter. Ela é apenas uma forma de não desvendar a verdadeira intenção que possuem.

Quem nega a manipulação?

ManipulaçãoA despeito de todas as evidências, basta alguém afirmar que o mundo de hoje está tomado por manipulações e ações invisíveis que logo é taxado de adepto de teorias da conspiração. As pessoas não se sentem à vontade com aqueles que trazem à tona realidades inconvenientes e que, sabidamente, estão além da capacidade do cidadão comum de controlá-las. Este é um mecanismo de defesa até compreensível, mas que não justifica a ausência de bom senso.

Negar que haja manipulação na sociedade atual é mais difícil do que aceitar tal fato. Basta pensar que as técnicas manipulatórias estão sendo desenvolvidas há quase um século e que seria de uma ingenuidade infantil acreditar que a posse desse conhecimento não seria usada em favor dos poderosos. Continuar lendo

O feminismo faz das mulheres inferiores

feminismo-fragilNão conheço uma força maior do que a da mulher. Por detrás de sua aparência frágil, de sua meiguice característica, reside um poder fenomenal. No entanto, tal domínio não se dá por sua capacidade física, mas por outro meio muito mais sutil e amplo, que é a sensibilidade.

E é essa sensibilidade que lhe permite fazer uso de meios que aos homens são praticamente inacessíveis. Por ser sensível, a mulher possui uma capacidade de encantamento, um poder de manipulação e uma força de atração impensáveis para qualquer representante do sexo masculino. Continuar lendo

Cultura do estupro: uma invenção feminista

mulher-acusandoExistem ideias e expressões que são postas em circulação e são fruto de uma irresponsabilidade sem igual. Muitas das pessoas que as repetem não param para pensar sobre as consequências do que dizem. Apenas seguem replicando-as, certas de que defendem algo razoável quando, de fato, amplificam uma injustiça e inverdade.

É como o caso dessa incansável repetição sobre a existência de uma tal “cultura do estupro”, que acaba sendo o exemplo perfeito de uma macaquice que toma as gentes e as transforma em meros canais de disseminação de preconceitos e conteúdos ideológicos. Continuar lendo

A arrogância dos manipulados

Se o pensamento moderno privilegia o subjetivo, então seria normal que cada pessoa pensasse de um jeito muito peculiar. Se não é a realidade externa a autoridade, mas os conteúdos do pensamento individual, deveríamos testemunhar uma infinidade de manifestações absolutamente originais. O que vemos, no entanto, é apenas a repetição dos mesmos chavões e das mesmas fórmulas. O que acontece, então?

Obviamente, algo está sendo inoculado, desde fora, na mente de todas essas pessoas, fazendo com que elas raciocinem de maneira uniforme, tornando suas manifestações apenas um mais do mesmo infinito, sem nada que possa identificar qualquer criatividade, originalidade e mesmo identidade em alguma delas.

Isso só é possível, exatamente, porque elas acreditam que a realidade que importa é aquela que está contida dentro de suas cacholas. Como a realidade da experiência lhes é desprezível, elas não têm onde encontrar a explicação das coisas senão em si mesmas. Assim, aqueles que pretendem manipulá-las, sabem que não precisam fazer o esforço da alterar nada da realidade, que é resistente a qualquer mudança. Basta-lhes inculcar o que eles querem na cabeça dessa gente que, logo, elas começam a acreditar que tudo aquilo que foi colocado em suas cabecinhas nasceu de dentro delas, e não tardam a propagandear isso aos quatro cantos.

Como são arrogantes, acreditando que o que acham que sabem é a mais pura expressão da verdade, vão repetir o que lhes foi enxertado com ares de autoridade, com jeito de originalidade, com aspecto de certeza. Mal sabem elas que são apenas ratinhos de laboratório, programados para replicar tudo aquilo que seus engenheiros manipuladores determinarem.

E vão fazer isso alegremente, crendo serem a vanguarda da intelectualidade, o supra-sumo do pensamento, os representantes da mentalidade independente. Coitados! São apenas uns macaquinhos.

Minha saúde te importa?

Parece que as gerações atuais sequer possuem noção do que significa o Direito à privacidade

O Ministério da Saúde, por meio da Portaria 763/11, determinou que todos os pacientes atendidos pela rede pública ou privada de saúde devem apresentar sua CNS – Carteira Nacional de Saúde, a fim de que todos os procedimentos sejam registrados, vinculando seus nomes, juntamente com o procedimento aplicado, aos dos profissionais de saúde que os atenderam e dos hospitais envolvidos.

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Quem conhece os nossos passos?

O Estado vai aumentando a extensão de seus tentáculos e, passo-a-passo, entra um pouco mais na vida privada de seus próprios cidadãos

Não são apenas a Apple e a Google que buscam incessantemente a posição de grandes invasores da privacidade alheia. Não poderia ficar de fora dessa briga a toda poderosa Microsoft. Esta, que já foi a maior empresa de tecnologia do mundo e hoje disputa para manter sua fatia (ainda gorda) do mercado, está investindo milhões de dólares em um sistema de monitoração pública, na cidade de Nova York (veja matéria do jornal Le Figaro).

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A escravidão consentida

Diferente do imaginado por Orwell, essa tirania não está sendo exercida por meio de um poder imposto por algum governo soberano. Ela está ocorrendo dentro de uma liberdade plena de escolha

O jornal Le Figaro traz uma matéria que dá alguns detalhes da briga existente entre a Apple e a Google: Apple lance une application de plan face à Google Maps. Nela, o jornal francês apresenta a guerra que há, entre essas duas empresas de tecnologia, na busca de adquirir mais força no desenvolvimento de aplicativos que possuem a capacidade de colher dados de seus usuários.

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Pedófilos intelectuais

Quando vês uma mente pequenina, arde em ti um desejo de possuí-la. Sua inocência te atrai

Quando vês uma criança, não enxergas nela a pureza da inocência, nem a simplicidade da infância, mas apenas imaginas o quão útil ela poderá ser à tua causa. Imaginas quando ela for adulta, formada segundo tuas convicções, moldada segundo tua ideologia, defendendo as causas que tu colocaste em sua mente. Tu não vês uma criança apenas em sua realidade presente, mas esforça-te por prepará-la para o mundo futuro, a ser construído segundo teus preceitos.

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