Escravidão solicitada

Praticamente todas as ditaduras foram implantadas no mundo com base em muito sangue e terror. Foi preciso matar muita gente e escravizar o restante, a fim de tornar possível o governo totalitário. Rússia, China e Cuba são exemplos de quantos cadáveres foram necessários para que o sonho socialista fosse implantado.

A dificuldade que as ditaduras sempre enfrentaram é que elas foram impostas contra o senso comum da população. Isso porque os ideais revolucionários geralmente vão de encontro à visão de mundo das pessoas normais. O que o revolucionário pensa é algo totalmente estranho ao que pensa o trabalhador comum, o lavrador, o pescador, o comerciante e a dona-de-casa.

Por isso, toda ditadura sofre muitos percalços. Geralmente, a sociedade sob ela é como uma panela de pressão, pronta a explodir. A União Soviética explodiu, o Leste Europeu explodiu. A China vive sob tensão. Cuba e Coreia do Norte só não explodem porque seus governos não têm escrúpulos em sufocar qualquer tentativa de insurreição.

Diante dessa experiência, os novos aspirantes a ditadores aprenderam que agir contra o senso comum representa uma luta inglória. Isso porque pessoas simples não agem movidas por idéias (idéias são coisas de intelectuais e ideólogos); pessoas simples vivem de maneira espontânea, guiadas pelo senso comum. Por isso, agir contra o senso comum é um erro tático de qualquer pretenso déspota.

Os novos ditadores aprenderam que melhor do que desafiar o senso comum é modificá-lo. Entenderam que é uma atitude muito mais inteligente alterar a forma como as pessoas percebem a realidade. Viram que fazer com que uma nova normalidade seja formatada na mentalidade do povo é a melhor maneira de aplainar o caminho para sua tirania.

Com a descoberta das métodos de manipulação psicológica e a possibilidade de sua aplicação por meio da tecnologia desenvolvida, o que era um sonho para antigos ditadores tornou-se perfeitamente possível para os novos. Formatar o senso comum, ideal de todo revolucionário, deixou de ser uma utopia.

Assim, há décadas, os poderes deste mundo têm investido em alterar a percepção que as pessoas têm da realidade. Com a aplicação de técnicas de manipulação em massa, muito daquilo que sempre foi tido como certo, já começa a ser visto pelas pessoas comuns como errado; o que era inconcebível, agora é desejado; a mentira virou verdade. É por isso que hoje vemos gente aparentemente normal louvando saqueadores, elogiando criminosos, apoiando assassinatos e desprezando os valores tradicionais.

Com o senso comum modificado, essas pessoas que, em condições normais, rejeitariam a tentativa de implantação de uma ditadura e lutariam contra ela começam, de maneira contrária, a clamar por ela. Então, vemos pais e mães, jovens bem formados, profissionais respeitados e até gente religiosa pedindo para que as garras ditatoriais sejam impostas contra todos; clamando que os governos ajam com dureza; pedindo que suas próprias liberdades sejam suprimidas.

A ditadura, então, ao invés de opositores, ganha apoiadores; no lugar de insurgentes, passa a contar com verdadeiros militantes, dispostos a sustentar a causa. São estes os cidadãos prontos a denunciar todos aqueles que pensam, falam e agem em desacordo com a nova mentalidade. São os que denunciam os vizinhos, acusam os dissidentes e até desejam a morte dos insurgentes. Para eles, toda pessoa que não segue seu modelo de vida é digno de punição.

Uma ditadura quando se depara com mentalidades assim formatadas já não precisa mais ser imposta. Na verdade, ela passa a ser uma concessão; uma entrega daquilo que as próprias pessoas anseiam. E uma ditadura assim é longeva, porque tem os próprios servos para sustentá-la alegremente. Afinal, uma escravidão perfeita não é aquela imposta à força, mas uma que seja apoiada pelos próprios escravos.


4 comments

  • Parabéns Fábio consegues sintetizar perfeitamente o que está o ocorrendo de fato em nossa sociedade.

  • perfeito! Exatamente. O mundo vivencia hoje este comunismo internacional, com guarita da podre midiática, globalistas, encabeçados por George Soros.

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