Guerra Silenciosa

A sobrevivência em tempos anormais se dá de duas maneiras: pela completa alienação ou pela plena consciência.

Eu jamais poderia aconselhar alguém a alienar-se dos problemas e questões mundanas, porque isso seria um contrassenso. A alienação é um tipo de ignorância e, a partir do momento que a pessoa tenta se alienar, ela automaticamente, pela consciência do problema, não conseguiria.

Resta, então, para aqueles que não pretendem viver na ignorância, tomar plena consciência da situação que estão e, a partir disso, traçar as estratégias que pretendem seguir para sua sobrevivência.

O primeiro fato que se deve tomar consciência é de que os tempos atuais não são normais. Não estamos (ainda) sob uma ditadura total, mas em um processo que tenta implantá-la. Este processo acontece em meio a uma guerra silenciosa entre os poderes do Estado. Uma guerra que envolve interesses, projetos e ameaças veladas entre as forças institucionais e que, sendo uma guerra, não temos como prever seu desenlace.

O que me interessa, primordialmente, é que nós, pessoas comuns, estamos em meio a esta guerra, sob esse fogo cruzado, que por enquanto é apenas retórico e de ações institucionais. No entanto, não podemos dizer quais serão os próximos andamentos e como isso nos afetará mais diretamente.

A guerra contemporânea é, antes de tudo, psicológica e os soldados dela, sem saber, muitas vezes somos nós. Mas, sendo psicológica, atuamos nessa guerra inconscientemente e acabamos agindo não necessariamente para atingir os nossos interesses, mas daqueles que nos manipulam.

Por isso, ter consciência dessa realidade é o que nos permitirá agir com sabedoria, orientando-nos em nossos atos e palavras, norteando-nos em nossos passos e ensinando-nos sobre o momento de agir e de esperar, de falar e de calar, de ser claro ou obscuro, de ser direto ou estratégico. Tudo para que não nos tornemos nem instrumentos nem alvos.

Espectadores de um Teatro Macabro

Os homens, em algum momento da história, perceberam que seu estado de natureza representava uma limitação para o desenvolvimento comunitário e, para superar essa barbárie, criaram a civilização.

A civilização, portanto, nada mais é do que um conjunto de técnicas e artifícios produzidos para abafar nosso primitivismo e conter nossos instintos.

Apesar de sobreviver em nós um resquício de intuição de nossa natureza bárbara e do caos que é o nosso mundo, sufocamos-na, refugiando-nos nos quadros fantasmagóricos que pintamos. Esquecemos do caráter artificial da sociedade que criamos e vivemos como se tudo nela fosse natural e espontâneo.

Os ritos, as liturgias, as leis, as convenções ─ tudo que serve para substituir o caos da natureza ─ acabam assumindo o papel da realidade. Passamos, então, a viver em um ambiente ilusório, mas convencidos de que se trata da realidade mesma, dedicando a ele nossas esperanças, esforços e investimentos; esperando dele todas as respostas.

Às vezes, temos algum lampejo de lucidez e entendemos que há muito mais para além desses jogos sociais. Porém, é tarde. Depois de tanto tempo vivendo sob a ilusão, a maior parte das pessoas se tornou incapaz de perceber que tudo não passa de um simulacro.

Assim, denunciar a mentira constitutiva de nossa sociedade torna-se inútil. Há muito tempo, aceita-se a pose, a farsa, o fingimento e a afetação como a representação fiel da realidade e, agora, quem pretende se colocar do lado de fora dessa ficção obviamente será tido por maluco.

Diante disso, resta para os minimamente despertos participar desse teatro macabro como meros espectadores, conscientes da natureza fantástica da encenação, sendo permitido comentar sobre as cenas, torcer pelos personagens e até opinar sobre o roteiro, mas sem qualquer poder para influenciar o espetáculo.

Enquanto a Guerra Durar

ara quem não tem a reflexão como um aspecto essencial de sua vida é muito difícil entender o drama que representa, para um escritor, a relação da expressão dos seus pensamentos com a complexidade contraditória da vida cotidiana, especialmente da política.

A vida intelectual, desenvolvida em grande parte no mundo das ideias, tende a abstrair os problemas reais, e o pensandor, quando se depara com esses problemas, pode assustar-se com a dissonância entre eles e suas próprias especulações.

O filme “Enquanto a guerra durar” mostra bem essa aflição. Nele está retratada a tensão existente, em um intelectual, entre sua necessidade de escrever sobre a realidade que observa, ao mesmo tempo que testemunha os caminhos contraditórios que ela toma, muitas vezes se opondo àquilo que foi escrito.

Não há nada mais caro para um filósofo do que sua coerência e nada mais angustiante do que vê-la ameaçada, quando as análises feitas sob certas circunstâncias parecem equivocadas, ao serem confrontadas com a experiência real.

A obra de Alejandro Almenábar trata disso e consegue transmitir a contínua e silenciosa ansiedade que toma conta do pensador Miguel de Unamuno por causa do progressivo contraste que vai se apresentando entre seus princípios intelectuais e suas opções – ainda que ocasionais – políticas.

Apesar do roteiro de “Enquanto a guerra durar” ocultar a confusão e violência promovidas pelo esquerdismo espanhol – o que conduzia o país ao caos – enfatizando a reação franquista, com sua óbvia virulência, o foco do filme é principalmente voltado para a aflição de Unamuno – e ele a mostra muito bem, apesar de certo lirismo e discrição.

Miguel de Unamuno apoiou o início do movimento liderado pelo general Francisco Franco por entender que era preciso fazer algo para conter a anarquia promovida pelos ‘rojos’ republicanos. No entanto, o fascismo franquista logo mostrava para o escritor que esse apoio estava sujeito a muitas ressalvas.

Na política, geralmente, é assim: apoiar o grupo que se levanta contra o mal evidente não significa apoiar o bem, mas o mal menor. Aliás, política é a contínua escolha pelo mal menor. No entanto, este mal, muitas vezes, é só um pouco menor que o mal maior, ou seja, contém muito de mal em si mesmo e apoiá-lo, seja qual for sua intensidade, vai contra os valores de qualquer pensador minimamente honesto.

A coerência é um patrimônio inegociável para um intelectual. Portanto, a falta de linearidade, a ambiguidade moral e a incerteza quanto às motivações, que tanto caracterizam os movimentos políticos e sociais, podem ser inquietantes para ele. Por isso, o filme “Enquanto a guerra durar” merece louvor, afinal, tem o mérito de captar essa angústia de forma sensível e profunda.

Artes e Cultura de Massa

A cultura de massa sempre foi criticada pela intelectualidade. Tornou-se lugar comum apontar a arte submetida a processos industriais como um rebaixamento cultural. Deu-se até um nome para o produto disso: kitsch.

Os grandes vilões, que sempre foram apontados como os responsáveis pelo florescimento do kitsch, eram os capitalistas. Foi o desejo de lucro que os críticos da cultura de massa denunciaram como o motivo de uma arte apenas preocupada em vender-se.

A lógica da cultura de massa foi identificada com a mesma lógica do processo capitalista: busca-se atingir o maior número de pessoas e, para isso, padroniza-se o produto, ajustando-o aos desejos e necessidades do consumidor.

Obviamente que esse processo de padronização leva a arte a diminuir-se, afinal, menos espaço sobra para o gênio, para o toque individual, que geralmente entram em conflito com o gosto da maioria.

Com a internet, surgiu a expectativa de que o processo da cultura de massa pudesse ser rompido. O artista, agora, não mais dependeria da lógica do mercado, à qual está submetido o capitalista financiador, e que acaba determinando como a obra deve ser oferecida ao público.

A internet trouxe a esperança de que o artista, finalmente, teria a oportunidade de ser ele mesmo, já que não mais sujeito às necessidades mercadológicas, podendo deixar transparecer sua originalidade e criatividade.

No entanto, o artista pode até não ansiar pelo lucro, mas precisa de reconhecimento. Ele não faz arte apenas para si. Todos esperam que a obra seja recepcionada e elogiada pelo público. Se as pessoas não reconhecem uma obra artística, seu destino é ser esquecida.

Diante disso, o artista acaba caindo no mesmo ciclo que movia o capitalista, ainda que por outros motivos. Ele precisa, se quiser ser visto, de alguma maneira, adequar-se ao público.

O problema é que o gosto das massas é sempre medíocre, porque equalizado pelo número. A lógica é simples: quanto mais pessoas se deseja alcançar, menos requinte, menos sutileza a arte pode ter. Para ser reconhecido pelo público, então, o artista abre mão de sua expressão genial, espontânea e verdadeiramente autoral, para ser, como era quando bancado por um financiador, um produto a ser consumido.

Dessa forma, o público guia a cultura, exigindo dela que jamais ouse ir além do que ele quer, sob pena de ignorá-la, de deixá-la ao esquecimento. Não são mais os artistas que dizem o que é melhor, são as massas que o determinam.

Quando as artes eram financiadas pelos empresários, pelo menos, podia haver a influência da autoridade, que pela força do dinheiro e do prestígio “ensinava” o público o que era bom e deveria ser consumido. Era possível, com isso, às vezes, que a genialidade aparecesse.

Agora, porém, quando não existem mais os mecenas e a arte “democratizou-se”, resta ao público decidir o que é desejável. E, sendo massa, ele sempre vai escolher o mais fácil, aquilo com que ele se identifica.

O artista que ousa ser original tem pouquíssima chance de resplandecer, porque lançará sua obra numa floresta cheia de seres bárbaros, incapazes de reconhecer a diferença estética entre uma escultura de Rodin e um anão de jardim, prontos a consumir tudo como se fossem bananas.

Sobram os corajosos, que lançam trabalhos verdadeiramente independentes e originais. E os há! Estes, porém, têm de torcer para que, pelo menos, aquela parcela do público que é capaz de compreendê-los e admirá-los os encontrem e ofereçam o mínimo de reconhecimento que todo bom artista merece.

Darkest Hour

A vantagem de seguir a multidão é não ter de assumir a responsabilidade caso as coisas dêem errado. Enquanto a decisão for do grupo não é você o culpado pelas desgraças oriundas dela.

As decisões em grupo tendem a seguir o óbvio porque elas não costumam ser fruto do gênio, mas da deliberação, que invariavelmente ajusta-se à mediocridade. Decisões grupais costumam ser pequenas, óbvias, sem grandes riscos. Exatamente por isso, não poucas vezes, são burras. Por outro lado, grandes decisões precisam ser heróicas, corajosas, arriscadas. Para tomar grandes decisões quase sempre é preciso escapar do lugar comum.

No filme “Darkest Hour” vemos Winston Churchill diante do dilema de seguir a obviedade do que um grupo de notáveis lhe apresentava como solução e suas próprias convicções, praticamente incompreensíveis para todo mundo. Chamberlain e o Visconde de Halifax haviam conduzido quase todo o conselho de Guerra, diante do extermínio iminente de praticamente todo o exército britânico diante das tropas alemãs, a buscar uma solução de paz com os inimigos, o que significaria uma rendição completa. Churchill, porém, mesmo diante dos fatos desoladores, entendia que não se devia negociar com o inimigo, principalmente nessas condições. “Você não pode ser razoável com um tigre quando sua cabeça está dentro da boca dele” foi a frase colocada em sua boca. E para tomar a decisão de não se render a Hitler, precisou agarrar-se teimosamente às suas convicções e é nisso que se encontra o seu heroísmo.

O que o filme retrata é exatamente essa força heroica – e todo o desafio que isso envolve – que enfrenta o poder persuasivo de um grupo que tem os fatos ao seu lado. A maior disputa que uma convicção pode encarar é a da oposição da multidão. Enquanto na cabeça, ela está protegida, mas quando desafiada pelo grupo é que mostra se realmente está bem estabelecida. As convicções de Churchill estavam bem estabelecidas porque baseadas num valor superior, que era a independência da Inglaterra. Ele sabia que se o país se rendesse, não sobraria mais nada dela.

Não que uma convicção precise ser tão rígida a ponto de não sofrer oscilações. Inclusive, “Darkest Hour” as mostra muito bem. Porém, são nos momentos de maiores dúvidas que surge aquilo que costuma salvá-la. No caso do primeiro-ministro, na hora de maior desespero, surgem o rei e o povo para dar a ele o apoio que precisava para enfrentar os políticos e burocratas.

Apesar de “Darkest Hour” retratar um Winston Churchill um tanto mais excêntrico e um tanto mais vacilante do que ele deve ter sido na realidade, o filme acerta ao transmitir toda a luta que um indivíduo pode enfrentar ao se colocar contra a força do grupo, principalmente nos momentos de maior crise, naquelas horas mais escuras.

Retórica do Oprimido Amigo do Poder

As falas esquerdistas são sempre carregadas de vitimismo. Com iphone na mão ou andando de jatinho, expressam a dor dos perseguidos, a revolta dos desprivilegiados.

Ao mesmo tempo que posam de oprimidos, os esquerdistas tornaram-se defensores do sistema. Louvam líderes globais, promovem agendas ditadas pelos poderosos e, pasmem, acreditam piamente nas mega corporações.

Se os esquerdistas estão do lado dos grandes poderes globais não é porque deixaram de ser socialistas, mas porque esses poderes deixaram de ser liberais, tornando-se cada vez mais socialistas.

O socialismo é a cultura dominante dos nossos tempos e a univocidade dos discursos, repetindo as categorias do marxismo, é a prova disso.

Hoje, não pensar como socialista é colocar-se na contramão do sistema; é por-se do lado contrário aquilo que está se tornando regra e senso comum.

Os poderosos deste mundo impõem o discurso belo, certo e moral, os esquerdistas, estupidificados, replicam-no docilmente e os outros, que se recusam a tomar parte nesse processo, parecem malucos no meio disso tudo.

A relação da esquerda com o poder é íntima e lasciva. Ela se diz vítima, mas é apenas uma mucama satisfeita das forças financeiras e políticas do globo; rameira bem paga das potestades macabras que ditam os caminhos da humanidade.

Eleições e Soberania

Um dos perigos de acompanhar política diuturnamente é perder-se na imensidão de notícias que se sobrepõem, sendo boa parte delas referentes a trivialidades irrelevantes.

A urgência política é insaciável e clama por olhares superficiais, que teimam em estacionar nas questões mais comezinhas dos ardis palacianos.

As pequenezas políticas são uma perfeita forma de entretenimento, pois, enquanto prende o público nos capítulos da novela pública, permite que os movimentos mais importantes, muitas vezes, passem desapercebidos.

No presente momento, a multidão inconformada com a fraude evidente acompanha atentamente o desenrolar do romance tecnológico envolvendo as urnas, com seus códigos-fonte e algoritmos. A cada dia, um capítulo; a cada momento, uma novidade.

Enquanto isso, o eleito pelas máquinas suspeitas já fala como chefe maior do Estado e não esconde que está pronto para atuar, na verdade, como representante das forças internacionais que sempre tiveram um olhar cobicento para o que temos de naturalmente precioso nestas terras.

Sem nenhum pudor, nem respeito ao sentimento nacional, ele expõe abertamente seu plano de atrair as forças globais para a Amazônia, com a desculpa de que somos incapazes de cuidar de nosso próprio quintal.

Há alguns dias escrevi que o nosso problema não era eleitoral, mas de soberania, e, a cada dia, vai ficando mais claro o que eu quis dizer.

Nosso problema eleitoral é apenas a parte técnica de um desejo mundial que nosso país esteja, cada vez mais, alinhado aos projetos globalistas. Poderíamos até dizer: não alinhados, mas submetidos.

Mal-Estar pela Influência Marxista

Poucas pessoas têm noção do quanto o marxismo influencia o pensamento contemporâneo. Elas aprenderam a falar de doutrinação e de assédio intelectual, mas pouco se dão conta de que o marxismo moldou a mentalidade atual, tornando-se a cultura dominante dos nossos tempos.

Ter consciência disso foi a minha motivação para escrever o livro ‘As Origens do Mal – A Filosofia Marxista e como Ela Transformou o Mundo’. Saber que o marxismo formatava a forma de pensar das pessoas motivou-me a tentar abrir os olhos delas, mostrando, em detalhes, como suas mentes estão afetadas por essa ideologia.

Sem ler o livro, tem gente que vai achar que é um exagero dizer que o marxismo forjou a cultura destes dias. Ninguém nega sua influência, mas muitos tendem a minimizá-la, como se fosse algo pontual.

A dificuldade de enxergar o domínio marxista deve-se ao simples fato de ainda persistirem resquícios da cultura anterior, que é essencialmente cristã, nas instituições e tradições sobreviventes. Isso cria uma ilusão de que essas formas anteriores são predominantes.

Quando olhamos nossas instituições, de longe elas parecem as mesmas de sempre, porém, quando nos aproximamos delas na realidade, já percebemos que foram tomadas pelo pensamento marxista. Não há uma delas que tenha saído incólume dessa invasão.

O sucesso do aparelhamento marxista deve-se à natureza do marxismo, que longe de ser – como muitos pensam – uma mera proposta econômico-social, trata-se de uma filosofia e de uma visão de mundo. O marxismo tomou a cultura como as religiões fizeram no passado, transformando não apenas as instituições sociais, mas oferecendo novas categorias de pensamento e, por consequência, de percepção.

A experiência que os leitores do meu livro têm relatado, porém, é dúbia: se, por um lado, dizem que é esclarecedora, por outro, sentem um certo mal-estar, por perceber o quanto eles mesmos estão contaminados. Como um aluno relatou-me: é como se estivéssemos mergulhados num piche e, com a leitura, conseguíssemos levantar para respirar, mas ainda sujos.

A percepção da sujeira é tanto mais forte quanto a pessoa a reconhece e deseja limpar-se. Se meu livro causa essa sensação de sujeira, então, parece-me que ele está conseguindo atingir o seu objetivo.

Lideranças nos Movimentos de Massa em Tempos de Redes Sociais

As manifestações que ocorrem em todo o Brasil são a expressão da frustração que boa parte da população sentiu por causa de um processo eleitoral, desde o início, viciado e sem transparência. Havia, há anos, a solicitação de que, pelo menos, os votos pudessem ser auditados, transformando o pleito em algo um pouco mais confiável. As autoridades, porém, preferiram fechar-se na declaração de inexpugnibilidade das urnas e, além de ignorar o pedido, fizeram de tudo para calar a boca daqueles que reclamassem.

Como muita gente desconfiava, venceu as eleições o candidato que mal podia sair às ruas, com indícios de manipulação de urnas e uma contagem de votos ainda mais suspeita. Esperar que o povo, simplesmente, aceitasse calado tal situação é apostar demais numa tradição passiva brasileira que pertence há um tempo que parece ter ficado para trás.

Essa multidão que se dirigiu, por todo o país, para a frente dos quartéis, pedindo que algo fosse feito diante das imensas suspeitas sobre o processo eleitoral, possui todas as características de um movimento de massa – e isso, em princípio, não significa algo negativo. As massas, são, por natureza, simples, impulsivas, reativas e contagiadas. Além disso, diria-se que ela necessariamente precisa de um líder.

No entanto, esse aspecto específico dos movimentos de massas é algo que mais me questiono neste momento. Isso porque todos os estudos sobre a psicologia das multidões foram feitos antes do advento da internet, e em todos eles a figura do líder é apresentada como essencial. Não existe movimentos de massa sem líder, de quem dependem quase totalmente e sem o qual tendem a desaparecer.

Não é por acaso que aqueles que querem destruir o atual movimento brasileiro estão tentando descobrir quem seriam os líderes por detrás dele, para isolá-los, esperando, com isso, refrear o ímpeto da multidão. Eles não conseguem imaginar que possa haver algo dessa magnitude sem que haja uma liderança conduzindo tudo.

A questão é que as redes sociais parecem estar trazendo um elemento novo a esse estudo da psicologia das massas. O que antes era imprescindível, a figura do líder, com Freud, inclusive, fazendo uma relação dela com o pai primordial mítico, agora parece estar sendo substituída por algo mais fluido e sem tanta necessidade de identificação.

Não que a figura do líder não seja ainda necessária, mas parece que hoje ela é muito mais capaz de ser mantida, mesmo que personalizada, não necessariamente corporificada. A imagem, a voz e até os comandos do líder podem ser mantidos ausentes enquanto são substituídos por várias vozes que serviriam como replicadores fiéis do seu pensamento.

Se for isso, não significa que a psicologia alterou-se, mas a possibilidade da multiplicidade de vozes acrescentou um elemento novo, que permite com que o líder não precise ser tão presente e tão ativo, enquanto suas supostas ideias são replicadas aos milhões e das mais diversas formas.

Isso não significa que a figura do líder não seja importante. Eu ainda não acredito que um movimento de massa consiga sobreviver apenas da espontaneidade de seus membros. É preciso uma figura agregadora, na qual todos confiem e estejam dispostos a sacrificar-se por ela. Essa figura nem precisa ser uma pessoa, mas pode ser mesmo uma instituição.

A questão que fica é: se esse líder escondido ou essa instituição, em algum momento, deixarem claro que não irão atender as demandas da massa, o que essa fará? Será que ela terá coesão suficiente para seguir ativa mesmo sem ter uma referência para quem possa suplicar? Será que essa massa sem líder é capaz de manter-se firme apoiando-se apenas em uma ideia? Será que as redes sociais e a multiplicidade de vozes que ela permite são capazes de sustentar movimentos de massa duradouros? Ou será que a massa exigirá sempre o surgimento de algum líder substituto – que é o que ela, por natureza, costuma fazer?

Sinceramente, essa é uma questão que eu ainda não tenho as devidas respostas. O fenômeno é novo e só o tempo dirá como funciona a psiquê coletiva nessas situações.

Fascistas e Nazistas

Uma opinião política é perceptivelmente dada sem qualquer noção da realidade quando usa das expressões ‘fascista’ e ‘nazista’ para acusar os grupos políticos de direita. Isso porque essas expressões não descrevem a direita, mas apenas serve para identificá-la, sem qualquer relação verdadeira, com algo odioso.

Talvez aja um outro motivo um pouco mais trivial nessa acusação: esconder aquilo que os próprios acusadores são e sua relação com aquelas ideologias. A direita, que é acusada de fascista, nada tem de tal. Por outro lado, a esquerda, possui diversas propostas e concepções que se identificam imediatamente com o fascismo e com o nazismo.

O lema essencial do fascismo era “Tudo pelo Estado; nada fora do Estado; nada contra o Estado”. Para ele, o Estado deveria agir como um grande Leviatã, comandando tudo, dirigindo tudo, cuidando de tudo, tornando os cidadãos como meros seus vassalos. Quem vai negar que é a esquerda que suscita esse tipo de veneração do Estado? Afinal, é exatamente ela que trabalha para o seu fortalecimento e discorda daqueles que pretendem diminuir sua atuação e influência.

Outro ponto dos fascismo, e que é comum ao nazismo, é o desprezo à liberdade individual, muito caracterizado pelo desarmamento universal. Inclusive, uma das primeiras providências do governo nazista foi desarmar toda a população civil. Todos sabemos que são os esquerdistas que militam pelo desarmamento civil. Porém, não pensem que eles fazem isso por uma preocupação com a violência social, fato que eles sabem que não tem relação com o armamento das pessoas comuns e não criminosas. Os esquerdistas, na verdade, não suportam ver o indivíduo cuidando de sua própria vida, de sua família e de sua propriedade, porque, pela eles, quem tem que ter o monopólio da violência é o Estado.

A última característica que eu gostaria de pontuar é a relação, principalmente dos nazistas, com os judeus. Os nazistas odiavam judeus. Por outro lado, fizeram acordos e alianças com os grupos muçulmanos. Entre a esquerda e direita, hoje, todos sabem, quem tem boa relação com os judeus são exatamente estes, enquanto aqueles até militam abertamente contra Israel. Atualmente, quem assumiu a aliança com os palestinos foram os esquerdistas, que não cansam de condenar a existência do país israelense, num mal disfarçado antissemitismo.

Apontando tudo isso, não estou afirmando que fascismo e nazismo são de esquerda, menos ainda de direita. No entanto, está mais do que demonstrado que, observadas objetivamente as propostas e as ideias, não há nenhuma dúvida que as da esquerda são muito mais assemelhadas àquelas promovidas pelas condenáveis ideologias do século passado.