Menos planos, mais princípios

Uma das maiores incoerências que vejo na análise dos candidatos à presidência é esse fetiche por planos de governo. Nem parece que o Brasil já sofreu o suficiente com os planos mais mirabolantes, que nos colocaram no quase caos que vivemos hoje. Os analistas, ainda assim, continuam exigindo que os candidatos tenham planos minuciosos a apresentar, como se tudo pudesse ser resolvido por meio de planilhas e números.

Isso não esconde que mesmo essa gente que reclama da centralização do governo federal e do excesso de Estado, no fundo, espera algum tipo de Salvador da pátria, que, se não resolverá os problemas por meio do milagre, o fará por meio de suas excelsas capacidades administrativas. Mostram que são, na verdade, estatistas enrustidos, entusiastas da planificação nacional, da mesma maneira que os mais ferrenhos comunistas.

De minha parte, entendo que um presidente não deve ter muitos planos de governo. Ele deve ter, sim, princípios claros. Eu, como alguém que realmente não acredita na eficiência estatal (diferente de muitos liberais que, apesar de declararem isso, ficam exigindo minúcias de planejamento dos potenciais presidentes, como se a ineficiência estatal fosse um problema de gestão e não de natureza), tenho convicção que a presidência mais eficiente é aquela que trabalhe para afastar a si mesma de qualquer administração técnica, lançando para os indivíduos e para os entes menores da federação as responsabilidades por implementar políticas públicas.

O problema é que isso parece impensável, inclusive para os analistas mais liberais que continuam acreditando que um bom candidato é aquele que apresente, em detalhes, tudo o que ele pretende impor sobre a cabeça dos cidadãos. O que eles querem, parece, é um novo Lenin, com seus planos quinquenais.

Escândalo alimentado

Estamos vivendo um momento quando tudo o que se diga pode ser interpretado como uma agressão a um grupo qualquer. Às vezes, até as manifestações mais inocentes são tachadas de discurso de ódio por alguém que, por algum motivo, tenha se sentido ofendido pelas palavras proferidas. Até alusões indiretas ou que apenas remetem de forma distante a um grupo étnico, uma religião, uma ideologia, um gênero, uma opção sexual ou qualquer outro grupo que possa ser representado na infinitude da diversidade humana, se tornam motivo de reclamação.

O que esses protetores da sensibilidade não percebem é que sempre que um grupo sente-se humilhado por uma declaração qualquer, imediatamente está declarando sua própria inferioridade. Isso porque só os fracos sentem-se afetados pelo que se diz deles. Apenas quem é subjugado, portanto inferior, acredita que deve levantar a voz em defesa de si mesmo. Os superiores não precisam disso. Quem sabe que não está abaixo de ninguém não tem a sensibilidade aguçada em relação ao que se fala sobre ele.

Mas os escandalizados se multiplicam. A cada dia surge uma categoria de vítimas da sociedade que enxergam nas palavras alheias algum tipo de violência que lhes afeta. Chegamos ao ponto, portanto, que manifestar-se tornou-se muito perigoso, pois quase sempre o que se diz conterá algum tipo de conteúdo escandaloso para alguém.

No entanto, não é por acaso que isso acontece. Quando uma pessoa fica escandalizada está demonstrando automaticamente seu senso de inferioridade. E quem se sente inferiorizado alimenta, ainda que inconscientemente, uma necessidade de vingança. Portanto, alguém que é estimulado a enxergar agressão em qualquer coisa que se diga em referência a ele está, na verdade, sendo levado ao ressentimento.

A lógica é bem óbvia: estimula-se o escândalo, que leva a um senso de inferioridade, que conduz ao ressentimento e que alimenta o desejo de vingança. Temos, então, delineada a forma como os poderosos mantém sob o cabresto os diversos grupos da sociedade.

Assim, esses grupos, ao mesmo tempo que pensam estar em uma luta por sua liberdade e se vêem como os paladinos da justiça social, estão simplesmente servindo de massa de manobra de quem usa seus ressentimentos – muitas vezes forjados – para controlá-los.

Portanto, se você é dessas pessoas que se sentem ameaçadas e humilhadas por qualquer manifestação que escutam por aí, em referência ao grupos do qual faz parte, repense seus conceitos e observe se não está sendo um mero joguete nas mãos de pessoas que sabem muito bem como lhe controlar.

Deixe de ser frágil! – é o que eu gostaria de lhe dizer.

Se alguém manifestar algo estúpido sobre você ou sobre o grupo ao qual você pertence, em vez de escandalizar-se, aprenda que muitas pessoas são mesmo estúpidas e que não merecem nada mais do que o seu desprezo. Por isso, não humilhe-se, escandalizando-se. Nestes casos, o escândalo é um elogio imerecido.

Cuidado com o vitimismo feminista

O Jair Bolsonaro precisa aprender uma lição urgente: nunca se dirigir a uma mulher, em público, em tom de reprovação, por mais razão que tenha e por mais que a respectiva mulher mereça. Falo isso não em tom de censura moral. Longe disso! Mas única e exclusivamente por razões de impacto eleitoral.

No confronto ocorrido entre ele e Marina Silva, no debate entre os presidenciáveis da Rede TV, em uma investida violenta e histérica da candidata, que o interrompeu, quando não era permitido a ela, segundo as regras do jogo, fazer isso, Bolsonaro reagiu, até com certa calma, dizendo diretamente para ela que ela não poderia interrompê-lo. Diante disso, alguns analistas interpretaram que a reação do Bolsonaro foi absolutamente normal e justa e, por isso, não haveria nada de prejudicial para ele no caso. Fizeram isso, claro, baseados apenas em um senso de justiça e em uma avaliação do que é certo e do que é errado. O problema é que as pessoas comuns – que são movidas essencialmente por impressões – não julgam dessa maneira.

O fato é que, por mais que as pessoas acreditem que suas escolhas são essencialmente racionais, muitas de suas decisões são baseadas em motivos superficiais, geralmente meras impressões que elas têm de um fato, um ato ou uma pessoa. Mesmo as mais intelectualizadas são assim. Quando falamos, então, de pessoas mais simples, menos instruídas, isso torna-se ainda mais evidente.

Agora, soma-se a isso anos de propaganda negativa sobre Bolsonaro, afirmando que ele é misógino, machista, sexista. Temos, então, a fórmula perfeita para destruir sua reputação: pessoas que julgam tudo por impressões, que foram bombardeadas ininterruptamente com informações negativas sobre o candidato, vendo ele agir de uma forma que parece confirmar aquela imagem que aprenderam a ter dele.

Junte-se a isso, ainda, o ambiente favorável ao vitimismo em que vivemos, onde tudo é motivo para escândalo. Um ambiente onde qualquer coisa que um homem diz para uma mulher, principalmente se for em tom de reprovação, já começa a ser tratado como agressão. Acabamos tendo, então, uma confluência de fatores contra Bolsonaro: superficialidade, manipulação e vitimismo.

Sabendo disso, é certo que Marina Silva – principalmente agora que ela percebeu a força de sua estratégia – vai explorar essa situação e, certamente, cada vez com mais força.

Por isso, insisto: Bolsonaro não deve mais se dirigir a ela, nem a qualquer outra mulher, em público, em tom de reprovação, por mais razão que tenha e por mais justa que seja a situação em seu favor. Se ele não quiser passar uma imagem que confirme a ideia de machista e intolerante, que as pessoas aprenderam a fazer sobre ele, não deve mais fazer isso. Reclame para a banca, fale para o público, dirija-se a Deus, mas não repreenda uma mulher diretamente.

Esta parece até uma preocupação pequena diante dos problemas e desafios que ele precisa enfrentar. No entanto, garanto que a maneira como ele agir, neste caso, pode ser crucial nesta eleição.

De qualquer forma, não custa repetir: essa precaução não tem nada a ver com o que é certo ou errado, mas apenas com estratégia política.

Uma tática malévola, mas inteligente

A insistência petista em lançar o Lula como candidato à presidência da República parece, à primeira vista, apenas a teimosia de um partido que viu todo o seu poder desmoronar nos últimos anos. As constantes petições judiciais e a ininterrupta narrativa em favor do presidiário como concorrente oficial ao cargo máximo da nação dão a impressão de tratar-se de mera insistência em algo perdido.

No entanto, quem está apenas enxergando desvario nessa tática, na verdade, não está entendendo nada do que está acontecendo.

O PT, de fato, não possui esperança de que seu líder possa oficialmente participar do pleito. O partido sabe que a decisão da justiça é irrevogável e sequer há apelo popular para a libertação do condenado. Seu objetivo é, com efeito, manter, no imaginário da população, a ideia do Lula candidato. Mais ainda, um candidato injustiçado, impossibilitado de participar plenamente da campanha por forças que não querem permitir o seu retorno. Em uma ofensiva que envolve vários meios, o que o partido quer é que o nome de Lula seja mantido o máximo de tempo possível como alguém que está disputando as eleições, a fim de que seus eleitores cativos sejam mantidos fiéis até o mais próximo possível do dia da votação.

O melhor dos mundos, para eles, seria que o rosto de seu candidato aparecesse nas urnas eletrônicas. Porém, como isso será muito difícil, a tentativa é conseguir com que o nome de Lula chegue o mais próximo possível de outubro para que, em cima da hora, o partido posso sinalizar para seus eleitores que, já que eles estão com Lula, e Lula está sendo impedido de concorrer, então que votem em seu Vice, o Fernando Hadadd.

E por que eles não fazem isso já agora? Simplesmente porque, se fosse pedida a transferência de votos neste momento, ficaria muito claro, para a população, que o candidato é Hadadd, e não Lula. E aquele não tem um centésimo do capital político deste para disputar esse pleito.

Portanto, há de se concordar que essa, apesar de malévola, é uma tática bastante inteligente e não deve ser menosprezada por seus adversários.

Um contraste desnecessário

Para quem acreditava, como eu, que o Luiz Philippe Orleans e Bragança era o vice ideal para a candidatura de Jair Bolsonaro, sua preterição, em primeiro momento, pareceu um grande erro.

O príncipe, com suas qualidades pessoais, como sua erudição, sua polidez e sua aparência, parecia ser a pessoa perfeita para compor a chapa com um candidato tido, na imaginação de muitas pessoas, como um militar bronco, mal educado e de capacidades intelectuais limitadas.

Tudo isso levou muita gente a esperar que a escolha de Luiz Philippe – a qual, aliás, havia sido dada quase como certa pelo próprio Bolsonaro -, além de ser a mais óbvia, cairia como uma luva para quem tem como desafio conquistar uma parcela do eleitorado que ainda tem algumas suspeitas sobre sua capacidade e temperança.

No entanto, analisando em retrospectiva, posso dizer, com segurança, que a escolha, para a vice-presidência, por um general, com imagem de ser linha-dura, de aspectos rudes e de uma patente militar superior, foi a mais inteligente, considerando o aspecto persuasivo dos efeitos dessa decisão.

Isso porque deve-se levar em conta que, a maioria das pessoas, não decide em quem vai votar por meio de um processo totalmente racional. Pelo contrário, há muito de empatia, simpatia e identificação que determinam essa escolha e que são racionalizadas depois.

E, em relação à percepção, há ainda a força do contraste, que é, invariavelmente, determinante para discernirmos se algo é bom ou ruim, bonito ou feio, caro ou barato. Saia com pessoas mais feias que você e certamente irão começar a achar que você é bonito, de alguma maneira. Saia com as mais bonitas e você será tido por feio. É assim que reagimos, sempre.

No caso de Bolsonaro, a escolha do príncipe, apesar de trazer um elemento de nobreza e distinção à campanha, com muito mais certeza apresentaria um contraste que poderia ser fatal para ela. Ao lado de Luiz Philippe, Bolsonaro pareceria mais bruto, menos inteligente, menos cordial. Ao ver o capitão e o príncipe lado a lado, mais do que forças adicionais, os eleitores perceberiam um contraste marcante, o que faria com que aquelas características do Bolsonaro que precisariam ser aliviadas, a fim de conquistar uma parcela dos eleitores indecisos, fossem, na verdade, realçadas.

Com a escolha do general acontece exatamente o contrário. Ao lado de Hamilton Mourão, Bolsonaro parece mais moderado, mais educado, mais palatável às mentes mais sensíveis. Com um general ao lado, o capitão soa muito menos agressivo e, assim, muito mais aceitável aos olhos de quem ainda não se decidiu por ele.

Por isso, a escolha do general, em vez do príncipe, para a vice-presidência, pode ter sido uma grande jogada feita pela campanha eleitoral de Jair Bolsonaro.

Do trivial ao escândalo

Era o horário de meu almoço e eu estava no restaurante, na fila para pegar minha comida, quando, no televisor acima de minha cabeça, passava o jornal de notícias da Rede Globo, bem no momento em que eles mostravam o General Hamilton Mourão, candidato à vice-presidência de Jair Bolsonaro, citando um lugar-comum conhecido da mentalidade brasileira: de que somos herdeiros dos defeitos ibéricos, indígenas e africanos, ao mesmo tempo.

Neste momento, uma senhora, que devia estar na faixa dos sessenta anos de idade, sentada a uma das mesas, já comendo sua refeição, olhou-me, com um olhar aterrorizado, como buscando em mim um cúmplice de sua revolta. Eu, obviamente, quando percebi seu intento, desviei meu olhar, para que a conversa – que sei bem onde iria parar – nem começasse. Ainda assim, pude ouvi-la dizendo, com uma voz indignada, a palavra “absurdo”.

Interessante tal reação – a qual, de maneira semelhante, pôde ser percebida em diversos setores da sociedade – pois, ainda que não se concorde com o que o general disse, seu discurso não se encaixa exatamente naqueles que podem ser considerados, imediatamente, como absurdos. Ainda que seja uma tese bem contestável, não é tão estranha a ideia de que os problemas de nosso povo se devem, em grande parte, ao tríade legado deixado pelas culturas que lhe serviram de formação.

O que mais me surpreendeu, ainda, foi ver que mesmo intelectuais de direita têm se manifestado pela absurdidade da declaração, transformando algo que é, no máximo, contestável, em imediatamente condenável. No melhor estilo dos tempos atuais, escandalizam-se com o que nem é para tanto.

Tal reação, com efeito, evidencia dois problemas: primeiro, mostra o quanto a mídia é capaz de forjar o imaginário da população. Como neste caso, transformando uma declaração – que, até algum tempo atrás, era considerada trivial – em algo quase criminoso. O segundo problema acontece na própria ciência (principalmente, nas ciências humanas, mas contaminando também outras áreas): que é a proibição expressa de discutir-se determinados temas, apenas por serem considerados inconvenientes ou sensíveis a certos grupos. Assim, cada vez mais assuntos vão sendo jogados para debaixo do tapete, cristalizando suas conclusões, não com base naquilo que a própria ciência alcançou, mas apenas pelos ditames do politicamente correto.

Sinceramente, eu não saberia dizer, com certeza, se as declarações do general estão completamente equivocadas. Tenho a convicção de que nossa sociedade possui qualidades e defeitos desenvolvidos dentro de nossa própria trajetória peculiar, mas que também alguns deles são fruto de nossas heranças culturais. É bem provável que a afirmação do senhor Mourão seja uma síntese simplista de toda a questão. Porém, tratar isso como algo indubitavelmente indecoroso é uma resposta exagerada, senão histérica.

Velhos heróis, velhas raposas

Aqueles que direcionam a agenda cultural e política do Brasil, mesmo após mais de três décadas do fim do governo militar, insistem em lançar-se em um revisionismo histórico daquele período, mantendo uma obsessão por mostrar ao público o quanto os militares eram maus e eles mesmos, os revolucionários, vítimas perseguidas. Em vez de olharem para a frente – o que seria esperado de quem está no poder há, pelo menos, vinte anos -, insistem em permanecer com a mesma retórica e o mesmo discurso do tempo em que eram guerrilheiros, quando lutavam contra o poder constituído.

Essa atitude, porém, não ocorre pelo sincero objetivo de passar a história a limpo. O que eles querem, ao não permitir que 1964 termine, é manter viva a narrativa montada naquela época, pela qual são apresentados como heróis, mesmo que fossem meros guerrilheiros. O objetivo é, principalmente depois que ficou comprovado o quanto suas ações no governo foram caracterizadas pela corrupção e pela destruição das instituições do país, manter uma imagem positiva, não deixando que aquela aura heróica seja esquecida.

Não que tenham sido heróis de verdade – muito pelo contrário! – mas essa tem sido a história contada por eles mesmos aos brasileiros. São, pelo menos, três gerações que cresceram ouvindo que aqueles militantes – muitos deles terroristas –  lutavam pela liberdade e pela democracia enquanto eram caçados pelos malvados militares.

Só que o tempo passou, e os velhos ativistas tomaram o governo. E ficou claro que esses hoje velhos e decrépitos não passam de corruptos sedentos pelo poder. Assim, a única maneira de salvar algum tipo de admiração por eles e manter sua influência no debate político e intelectual acaba sendo não deixar que a velha narrativa morra.

Isso explica essa insistência por, em pleno encaminhamento para o final do primeiro quarto do século XXI, ficarem resgatando as histórias de quarenta ou cinquenta anos atrás, como se o país não tivesse mais nada com que se preocupar senão com os fatos ocorridos naquele tempo.

O que está claro é que o Brasil precisa olhar para a frente, mas está sendo impedido por essa gente que nos prende ao passado, com o único intuito de sobreviver, eles mesmos, como personagens relevantes da cultura brasileira.

Já passou da hora de superarmos essa situação, mas isso só será possível superando as velhas raposas que insistem em manter-nos presos no tempo, apenas para continuarem dando as cartas na política do país.

Os grilhões que nos prendem

Um país que pretende superar suas mazelas e ingressar de vez em tempos de prosperidade e estabilidade precisa olhar para a frente, tomando o passado como lição, mas não como o determinador de todos os seus caminhos.

O Brasil, porém, está com uma bola pesada amarrada aos pés, enquanto seus formadores de opinião e políticos vivem como se ainda estivéssemos nos anos sessenta.

A geração que hoje representa a intelectualidade influenciadora do seio da política nacional e a grande mídia é formada toda por ex-guerrilheiros e combatentes de esquerda que, vendo a si mesmos como guerreiros contra uma ditadura, consideram-se os personagens responsáveis pela restauração da democracia no país.

A consequência direta disso é que , ao mesmo tempo que apresentam-se como os paladinos do Estado de Direito, perseguem aqueles que se encontram do outro lado do espectro político – conservadores, militares, direitistas e anti-esquerdistas – como criminosos.

Com isso, assumem o monopólio da política, abrindo a possibilidade para que aconteça o que testemunhamos nas últimas décadas: a dilapidação do patrimônio e a corrosão das instituições brasileiras.

E para que esse status permaneça, preenchem a todos os espaços da República, afastando a qualquer um que ameace suas posições. Fazem isso não deixando que o período do governo militar brasileiro, com a mentalidade característica daquele tempo – de jovens ativistas deslumbrados com as falsas promessas de um paraíso comunista lutando contra generais toscos que sabiam que sua missão era não deixar o país seguir os mesmos caminhos de Cuba – passe.

O que ficou hoje, depois que os antigos militares já não estão mais entre nós, são aqueles garotos e garotas militantes, agora decrépitos e envelhecidos, infiltrados em todas as esferas do poder, sem conseguir, nem querer, superar 64 – e menos ainda 68 – vivendo quase exclusivamente pelo desejo de vingança e ressentimento, acreditando-se possuidores de um salvo-conduto que lhes permite falar e fazer todas as barbaridades.

Por isso, tenho a convicção de que enquanto essa geração de órfãos da Guerra Fria não passar ou, pelo menos, for derrotada política e intelectualmente, o Brasil não conseguirá seguir em frente. Ela é nosso retrocesso, o nosso impedimento, os grilhões que nos impedem de prosseguir.

Enquanto forem essas pessoas que ditarem a pauta política e determinarem a agenda do país, ficaremos reféns de sua visão retrógrada e impossibilitados de avançar como povo, como nação e como sociedade.

Aliados inconfiáveis

Eu não confio em quem vive apenas de críticas a um certo tipo de pensamento, mas nunca deixa claro o que realmente pensa. Não acredito em quem demonstra muita coragem para atacar ideias alheias, mas afrouxa quando é instado a revelar as suas.

Isso por que esses críticos, enquanto os adversários coincidirem, podem parecer seus melhores aliados. No entanto, basta os adversários comuns serem derrotados para eles, ao vento das circunstâncias e dos interesses, virarem-se contra você.

E, quando isso acontecer, eles estarão em uma posição vantajosa. Porque a primeira regra da honestidade intelectual é revelar de que lado você está, o que defende, no que acredita. Como esses críticos sem rótulos nunca fazem isso, no momento que eles se virarem contra você terão todas as vantagens estratégicas de quem conhece em detalhes o inimigo, enquanto as características deles mesmos – no que acreditam, o que querem, o que defendem, em suma, seus pontos fracos e fortes – ficam camufladas.

No fim das contas, é muito melhor brigar contra os aloprados ideológicos que, a despeito de toda maldade, pelo menos são o que são, do que contra os falsos aliados, que, no momento que você precisa deles, não os encontra ao seu lado, mas prontos para apunhalar-lhe pelas costas.

Siga o dinheiro

O que motiva empresas privadas como Facebook, Globo e Folha de São Paulo a atuar constantemente contra os interesses de boa parte de seus consumidores diretos? Enquanto o jornal impresso tem vivido de fazer campanha descarada em favor de seus políticos preferidos e o canal de televisão não cansa de afrontar a moral do povo com o levantamento de bandeiras que deixam felizes apenas uma parcela muito pequena da população, a rede social entra com tudo na disputa política e, simplesmente, exclui páginas de pessoas que unicamente defendem ideias que têm o aval de milhões de pessoas.

Não esqueçam que, antes de tudo, essas são empresas privadas que sobrevivem de lucro. Quando vemos elas, contudo, tomando decisões que vão diametralmente para o lado oposto do pensamento de seus próprios clientes, só podemos concluir que só pode haver alguma fonte de renda que, para elas, é muito mais interessante do que o que podem obter diretamente de quem consome seus produtos. 

Só é possível concluir que há financiamento pesado e direto feito por entidades metacapitalistas e supranacionais. Está claro que tem gente colocando dinheiro grosso nessas empresas, de maneira que, para elas, valha a pena menosprezar os próprios consumidores em favor de ideias e bandeiras que firam esses mesmos consumidores frontalmente.

Para entender tudo isso, o conselho é: siga o dinheiro e você entenderá muita coisa.