Extremamente covardes

Por detrás de quase todos os críticos do extremismo residem extremos covardes, que temem se comprometer com algo e querem ter sempre à disposição a possibilidade de escapar.

Ao atacarem o que chamam de extremismo, na verdade, estão criticando a convicção. Isso porque não suportam pessoas que sabem no que acreditam e defendem isso até o fim. Para os frouxos facilmente escandalizáveis, toda demonstração de certeza é uma agressão.

Até porque nem sempre a moderação é uma virtude. A moderação da verdade, do bem, da justiça, por exemplo, não pode ser tida como um objetivo a ser perseguido.

O extremismo que deve ser criticado é apenas aquele alcançado sem reflexão, sem prova, sem razão. O extremo, em si mesmo, não é errado, mas estar nele de maneira leviana e obtusa.

Se porém uma convicção é atingida após ter sido devidamente provada, que mal há em permanecer ali de maneira extrema?

Por isso, eu nunca me pergunto se alguém está sendo radical, extremista ou coisa do gênero. Minha única indagação é: o que ele defende é certo?

A essência do cristianismo

O pensamento cristão foi inundado, durante esses dois mil anos, por discussões que, sem negar a importância delas, não fazem parte do núcleo de sua revelação.

Com isso, com o tempo, o tesouro do cristianismo foi sendo esquecido e hoje são pouquíssimos cristãos que conseguem entender qual é a proposta fundamental dessa religião para o homem.

E essa proposta, o que pode ser surpreendente para muita gente, é absolutamente lógica, racional e objetiva.

O cristianismo é, sim, de uma racionalidade ímpar e de uma lógica incontestável. O que ele propõe faz todo o sentido e é uma resposta perfeitamente adequada ao drama humano fundamental.

É uma pena que os próprios cristãos tenham se confundido no mar de teologias apresentadas e hoje nem eles conseguem ver além de uma grande mixórdia de teorias e práticas.

A opinião dos cientistas

A ciência não tem a capacidade de descrever exatamente os fatos, em seu sentido mais profundo, mas seu papel se restringe a estabelecer qual é o processo por detrás deles.

Por isso, dar ouvido a cientistas, enquanto tais, em qualquer matéria que não seja a mera informação sobre como as coisas se dão é idiotice.

E é por isso que quando os cientistas se arrogam no direito de dar palpites em algo que vai além de suas observações técnicas acabam falando apenas besteiras.

Ainda assim, insistimos em colocá-los no ápice da pirâmide intelectual, subjugando-nos aos seus conselhos e sendo levados pela mesma volatilidade que é da própria natureza da pesquisa científica.

Então, o que ontem era bom hoje é ruim, o que foi saudável, agora faz mal e o que era verdade virou mentira. Tudo é tão volúvel que a impressão é que não existe mais sabedoria universal, nem conhecimento perene. Tudo parece instável e nada parece certo, tudo porque demos ouvidos demais a quem vive de contestar as próprias afirmações.

Assim, nos perdemos nesse vai e vem de teorias, só porque tratamos a ciência como uma deusa, quando ela não passa de um instrumento e nada mais.

Por uma educação elitista

Um sistema educacional que privilegia a inserção e o nivelamento jamais vai produzir gênios.

Quando o mais importante é mostrar que todos podem, quem realmente teria condições de apresentar resultados notáveis acaba se ofuscando em meio ao emaranhado de mediocridades. Quando o máximo esperado é preparado para ser alcançado por muitos, é uma multidão de operários que se está formando. Pior, operários que se acreditam geniais, enganados que foram pelos critérios que lhes foram entregues.

Por isso, temos essa infinidade de técnicos, que abundam por todo lado, e mesmo assim é tão difícil tirar dentre eles alguns poucos que sejam surpreendentes, que se comparem ao que há de melhor no mundo.

Porém, não se enganem, nosso problema não é genético, mas cultural e ideológico.

De alguma maneira, escolhemos ser estúpidos.

Comprar é um ato humanitário

Comprar é um ato humanitário. Por isso, eu sou um entusiasta do consumo. E tudo isso, por um motivo muito simples: eu tenho noção de como as coisas funcionam.

Quando eu vejo um bem de consumo, eu não tenho aquela visão rasteira de quem apenas enxerga a matéria visível final. Um carro de luxo, por exemplo, se apresenta para mim mais do que em sua aparência fenomênica. Antes de tudo, eu olho para além do carro e vejo toda uma cadeia produtiva que está por detrás dele e que envolve uma logística complexa e absurda. Uma logística que absorve uma multidão de seres humanos que são remunerados exatamente por estarem ali naquele sistema de produção.

Você tem noção do que envolve a fabricação de um automóvel? Desde sua  idealização, seu projeto, a matéria-prima necessária para sua construção, a fabricação dos acessórios, que não são poucos, a montagem, o armazenamento, a distribuição, o transporte, a venda e até a manutenção, tudo isso coloca em funcionamento uma máquina que envolve milhares e milhares de pessoas.

Então, um carro de luxo, pelo menos para mim, é mais do que um objeto de desejo.  Aliás, eu sequer me interesso por ele enquanto objeto de uso.

Quando eu olho um Porsche, o que eu vejo é uma sequência de atos que movimenta milhares de pessoas. Uma Ferrari, para mim, representa um monte de gente podendo levar comida para a casa, podendo morar adequadamente, podendo fazer uma festa de aniversário para o filho.

É por isso que essa hipocrisia de quem critica o consumo não se sustenta.

Esses bens, seja de luxo ou não, são o que permitem a existência do mercado. O mercado é o que permite haver empregos. São os empregos que permitem que as pessoas vivam dignamente. E o que alimenta o mercado é o consumo.

Isso mesmo! Para manter isso tudo funcionando, as pessoas precisam comprar.

Então, caro leitor, quando você compra alguma coisa, o que você está fazendo é um ato de humanidade. Porque comprar é permitir que esse mercado continue existindo. E o mercado continuando a existir significa que as pessoas podem continuar tendo seus empregos. E elas tendo seus empregos, seus filhos vão estar bem alimentados e ninguém vai passar necessidade.

Por isso, quer ser bonzinho? Quer colaborar para diminuir a fome no mundo? Então, consuma mesmo, compre mesmo, use seu dinheiro para sustentar essa roda virtuosa. E deixe esse papo de comunista para lá, pois a única coisa que comunista faz bem é distribuir a miséria.

Quem pensa como comunista pode até ter boas intenções, mas não está ajudando em nada quem realmente precisa colocar comida na mesa.

Rebeldes e selvagens

Pessoas de espírito rebelde gostam de referir-se a si mesmas como selvagens. Comparando-se ao animal que vive solto na natureza e que não é domesticado por ninguém, pensam suas vidas como a de leões que a ninguém se submetem.

No entanto, esta visão sobre o que é ser selvagem está profundamente equivocada. Na verdade, selvagem é a antítese de livre.

Até porque, apesar da aparência de autonomia, o selvagem não pode ser nada além daquilo que lhe foi determinado pela sua natureza. O selvagem está confinado a ela e dela nunca escapa. Isso porque o selvagem está inexoravelmente sujeito ao instinto e às inclinações e jamais pode superá-los.

Não há no selvagem nada daquele mínimo de razão que lhe permitiria agir de maneira diferente do que lhe foi imposto desde sempre. Sua tendência é seu cárcere, seu instinto sua prisão.

Portanto, aqueles que, encantados com os movimentos bestiais, tentam ser como feras, correndo para todo lado, agindo sem dar conta a ninguém e dando vazão indiscriminada a seus impulsos, saibam que o máximo que alcançarão é ser servos de suas partes mais inferiores, até o dia em que forem cativados pelo primeiro dono de circo que decidir domá-los.

O que minha filosofia não é

Minha filosofia não é cristã, mas influenciada pelo cristianismo. Não é cristã, mas balizada por ele. Seria cristã se partisse da religião cristã, o que não acontece.
 
Se o que eu penso partisse da doutrina, estaria eu fazendo pura teologia, o que eu não faço. Se minhas conclusões fossem a síntese do ensinamento cristão, não haveria filosofia alguma, só raciocínio doutrinário, o que também não faço.
 
Agora, se tenho o ensinamento cristão como um juiz ou um pedagogo (Clemente de Alexandria), então estou livre para exercer minha filosofia tranquilamente, sabendo que tenho o melhor orientador que o mundo jamais poderia me dar.
 
Não há nisso qualquer pretensão de autonomia, nem negação da fé. Apenas é uma questão de método que, no fim das contas, deságua no mesmo mar eterno.

Livre-mercado global

O livre-mercado pode ser abordado sob dois aspectos: nacional e global. No primeiro, tudo é muito claro. As empresas estão sob as mesmas regras, com a ressalva de alguns detalhes tributários regionais, e encontram, diante de si, os mesmos obstáculos e incentivos, a mesma liberdade e os mesmos entraves.

Quando, porém, fala-se em mercado global, as categorias certamente não são as mesmas. Considerando o princípio da soberania dos países, as empresas envolvidas nas negociações internacionais, apesar de obedecerem a algumas regras comuns, também estão sujeitas aos sistemas de seus respectivos países, que são obviamente diferentes, variando em seu nível de liberdade econômica.

Fica evidente, com isso, que não existe um livre-mercado, de fato, em nível mundial. O que há é um sistema de negócios que tenta colocar todos os participantes em um mesmo patamar, mas que, invariavelmente, encontra os mais diversos entraves e tratamentos diferenciados nas legislações nacionais.

Nesse contexto, é óbvio que uma empresa localizada em um país onde a liberdade econômica é menor, onde há mais tributos e as regulamentações são mais opressivos ficam em desvantagem, nesse jogo comercial global, em relação àquelas que se encontram em países onde o governo interfere menos em seus negócios

Portanto, chamar de livre-mercado esse jogo onde uns possuem mais vantagens competitivas do que outros, é possível apenas como analogia, não como verdade concreta.

Retórica desperdiçada

Até meados do século XX a retórica fora jogada à margem dos estudos da linguagem, naquele afã pela busca de uma forma de dizer que pudesse ser rastreada cientificamente. Viu-se, porém, com o tempo, que isso, além de impossível, era simplesmente um desperdício das possibilidades que o estudo da arte do bem falar permite.

Tradição e instinto

É comum ver gente inteligente criticando a forma como assimilamos as tradições, tentando dar a entender que, ao fazermos isso, estamos agindo sem pensar, apenas repetindo padrões já determinados. Há até um vídeo, bastante conhecido, que mostra uns macaquinhos agindo dessa maneira. Acreditam assim que estão levando seus ouvintes a defender a razão.

Não entendem, porém, que a razão humana não é algo que existe sem uma causa e que ela é também parte de um desenvolvimento e, nesse prisma, só existe como fruto das tradições e dos costumes. Sem eles, com efeito, seríamos apenas instinto e, consequentemente, não haveria razão alguma para defender.

Por isso, quando alguém, ao criticar o conhecimento herdado, pensa estar reivindicando liberdade, na verdade está promovendo o exato oposto dela: o cárcere da irracionalidade.