Excelentíssimos canalhas

Quando o que impera é o caos e a desordem, toda polidez e toda afetação servem apenas para disfarçar a bagunça que existe por detrás delas. Pode perceber: se a sociedade está confusa, são exatamente os mais desonrados que exigem o cumprimento estrito das regras litúrgicas. A liturgia é uma máscara perfeita para os cafajestes….

Escrever, um ato de coragem

As idéias, quando na cabeça, são fluidas. Por causa do dinamismo de nossos processos mentais, costumam ser movediças, incertas, cheias de oscilações. O que mantemos no pensamento é, por isso, móvel, sempre passível de atenuações e acréscimos. Apesar da instabilidade consequente do processo dinâmico de nossa mente, é exatamente isso que nos permite pensar muitas…

Cultura marxista

Há quem ria da expressão “cultura marxista”, pois não consegue conceber o marxismo para além de uma ideologia, de uma proposta de sociedade, quando não de uma mera concepção sobre economia. Para estes, marxismo seria uma ideia existente dentro de uma cultura, apenas. A verdade é que o marxismo possui todas as características de uma…

Leituras difíceis

Quem já tentou ler Kant, Lavelle, Homero, Camilo Castelo Branco, Padre Vieira, entre outros, sabe o esforço de atenção, o conhecimento linguístico e a bagagem cultural necessários para compreender o que esses mestres do pensamento e do estilo escrevem. Não são leituras fáceis. Podem tornar-se torturantes, na verdade. Diversas vezes comecei a ler livros difíceis…

A função da beleza na escrita

A escrita elegante parece estar fora de moda. Muitos escritores acreditam que escrever bonito não tem função alguma. Simplesmente, acham que sua comunicação deve ser feita sempre da maneira mais fácil e direta possível. Há motivos para o medo de escrever bonito: o receio de soar pedante, o perigo de parecer datado e, por fim,…

O óbvio que não importa

Não há quem não fique furioso em, após explicar algo com detalhes e lógica, com todo o cuidado para que tudo fique bem claro, ser acusado com um adjetivo depreciativo que o interlocutor, ignorando tudo o que foi dito, impõe ao discursante, apenas por imaginar que ele representa determinada ideologia, classe ou interesse particular. Mesmo…

O monopólio do uso da força legítima pelo Estado e o pensamento por palavras

Jules Payot, criticando um vício que os alunos de filosofia costumam ter, dizia que eles erravam porque pensavam por palavras. Hoje em dia, este é um equívoco comum. Mesmo as pessoas mais simples cometem essa falha. O problema de pensar por palavras é que a realidade é deixada de lado. A pessoa fica tão atraída…