A decaptação da criatividade

O comediante Hubert teve sua conta no Facebook bloqueada por uma charge, na qual aparece a presidente Dilma, sem cabeça, oferecendo a própria em uma bandeja, com os seguintes dizeres atrás dela: “Sugestão de corte no orçamento”.

É óbvio, para qualquer pessoa minimamente inteligente, que o corte da cabeça da presidente era apenas uma alusão à sua deposição, à sua saída do governo. Tanto que é a própria quem a oferece em um prato.

No entanto, para haver tal punição à conta do comediante, provavelmente o desenho foi tido, por algum expert da empresa de Zuckerberg, como uma incitação ao ódio ou à violência. E isto denota a falta de capacidade para captar uma ironia, para entender uma mera alusão. E essa incapacidade é típica de pessoas com deficiência cognitiva. A dificuldade em entender a sutileza na mensagem, principalmente com referências irônicas, é um sinal de retardamento mental que, o que me parece, tem se tornado muito comum entre as pessoas adeptas ao politicamente correto.

O mundo de hoje, na verdade, tem feito de tudo para sufocar a criatividade, criado obstáculos a livre inteligência e desenvolvido mecanismos que só impedem o florescimento da genialidade. Enquanto a técnica matemática é explorada ao máximo, pois esta não afeta suscetibilidades, a linguagem, que é a principal arma dos gênios, tem sido restringida a níveis de imbecilidade.

Isso tem feito, mesmo pessoas tidas por inteligentes, como funcionários de empresas do porte do Facebook, se tornarem incapazes de perceber as nuances da linguagem e entender mensagens que estão por detrás daquilo que está explicitamente dado.

E essa realidade, certamente, está conduzindo nosso mundo para uma situação de decadência impensável, onde a comunicação, que é a base de todo o progresso e da própria sociedade, está se tornando impossível.

A continuar assim, nessa degeneração linguística intermitente, vai chegar o dia que a única comunicação possível e comum serão os grunhidos.

 

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