O bobo-da-corte brasileiro e a elegância israelense

“O porta-voz israelense ter chamado o Brasil de anão diplomático foi até uma atitude elegante de sua parte. Ele, por exemplo, poderia ter lembrado que muitos anões eram bobos-da-corte e ter feito essa comparação com a posição brasileira nesse cenário atual. Mas não! Fez referência apenas ao nanismo e deixou de fora qualquer menção à imbecilidade e desonestidade dos comentários brasileiros”

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Quando o governo brasileiro, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, se mete a dar palpites sobre os conflitos na faixa de Gaza, não faz isso como um país sério, como uma nação soberana preocupada com os rumos das relações internacionais. Age, sim, como um grupelho juvenil, como um movimento estudantil interessado em marcar território e expor suas esdrúxulas convicções ideológicas.

Ao publicar uma nota criticando Israel, culpando-o pelos conflitos, o governo brasileiro mostrou sua pequeneza, pois, com isso, revelou aquele conhecido ressentimento histórico, típico dos imbecis ideológicos, que vê os judeus como os culpados de tudo. Quando, ainda, omite qualquer menção ao Hamas e suas ações terroristas, demonstra que não é apenas pequeno, mas mau caráter.

Diante disso, o porta-voz israelense ter chamado o Brasil de anão diplomático foi até uma atitude elegante de sua parte. Ele, por exemplo, poderia ter lembrado que muitos anões eram bobos-da-corte e ter feito essa comparação com a posição brasileira nesse cenário atual. Mas não! Fez referência apenas ao nanismo e deixou de fora qualquer menção à imbecilidade e desonestidade dos comentários brasileiros.

E sabe por que a resposta do representante de Israel afetou tanto o governo brasileiro? Porque ele fez algo que, no Brasil, é considerado uma das atitudes mais agressivas que pode haver: descreveu cruamente a verdade. Afinal, nenhuma descrição poderia ser mais perfeita do que afirmar que as opiniões brasileiras são absolutamente irrelevantes para o cenário posto.

Imagine! Israel sofre pressões de países muito mais importantes, sofre com a perseguição da mídia mais poderosa do mundo e nem por isso deixou de seguir fazendo aquilo que suas próprias análises dos fatos determinaram. Deveria ele, então, de alguma maneira, mudar um milímetro de suas ações por conta das afirmações de um país, neste caso insignificante, como o Brasil?

De qualquer maneira, ainda acho que o porta-voz foi extremante respeitoso. Ao responder a acusação de que Israel estava agindo com desproporcionalidade nos conflitos em Gaza, ele se reservou ao direito de fazer meras comparações futebolísticas. Com isso, agiu como um verdadeiro gentleman. Pense bem! Ele poderia dizer que deproporcional é a quantidade de benesses estatais distribuídas em relação aos verdeiros investimentos em favor da população pobre, que desproporcional é a quantidade de pessoas tão próximas ao gabinete presidencial sendo condenadas em relação aos membros do governo diretamente atingidos, que desproporcional é a quantidade de absurdos ditos e feitos por um ex-presidente do mesmo partido do atual governo em relação à manutenção de sua popularidade ou que desproporcional é a propaganda governamental de suas ações em relação ao que efetivamente tem sido feito no país.

No fim das contas, Israel foi muito elegante. Se reservou ao direito de fazer uma pilhéria futebolística em homenagem ao nosso presidente anterior (pois lembre-se: ele adorava analogias desse tipo) e minimizou, dessa forma, os comentários tecidos pelo governo brasileiro. E, com isso, acabou por nos ajudar a lembrar que os únicos comentários que realmente têm relevância por aqui são aqueles relativos ao esporte bretão.

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