Por uma alma fortalecida (Tiago 1.2-4)

Se um homem tem como meta salvar a própria alma, nem o fogo, nem a espada poderão detê-lo

Se tu acreditas que esquivando-te das tribulações acharás uma vida pacífica, engana-te. Quem foge dos problemas torna sua alma fraca e a fraqueza é o prenúncio das dificuldades. Por isso, alegrar-se nas tribulações, diferente da reação fingida de quem sorri quando tudo está mal, é possível, principalmente quando a consciência do que se obtém com as lutas está presente.

Mas apenas rejubilam-se nos problemas aqueles que enxergam além deles. O homem que, na batalha, esquece porque está nela, perde o estímulo e facilmente é golpeado. De outro modo, quando se conhece a razão porque as situações se apresentam e, principalmente, o fim que se busca, todas as dificuldades toranam-se suportáveis.

Com efeito, quanto mais nobre for o fim, menos se sente a adversidade. Na verdade, essa relação é proporcional. Fins mais altos suportam problemas mais difíceis, enquanto pobres fins não têm o condão de sustentar tão firmemente o afligido.

Se alguém tem como objetivo a satisfação de um mero prazer, por exemplo, pode suportar a crítica, a inimizade, mas, jamais, suportará a tortura. No entanto, se um homem tem como meta salvar a própria alma, nem o fogo, nem a espada poderão detê-lo.

Aquele, portanto, que tem a eternidade como fim, verá todas as coisas como meros entraves temporários, um tanto incômodos, talvez, mas, jamais paralisadores. Suportar perseguições é mais do que prova de paciência, é a demonstração de quanto o perseguido compreendeu o verdadeiro valor da vida.

O homem que ultrapassa a provação estabelece para sua alma uma resistência intransponível, preparando-a para o dia a partir do qual nada mais a perturbará.

 

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