A função da beleza na escrita

A escrita elegante parece estar fora de moda. Muitos escritores acreditam que escrever bonito não tem função alguma. Simplesmente, acham que sua comunicação deve ser feita sempre da maneira mais fácil e direta possível.

Há motivos para o medo de escrever bonito: o receio de soar pedante, o perigo de parecer datado e, por fim, o risco de não ser compreendido. Assim, evitam o texto rebuscado, as construções complexas e as palavras inusuais. Com isso, buscam garantir que sejam plenamente compreendidos.

Todos esses temores têm fundamento. Na escrita, sair do lugar-comum envolve riscos. A escrita complexa pode mesmo parecer arrogante. Escrever com pomposidade pode soar antiquado. Uma construção mais rica tem a chance de não ser compreendida. Por isso, muitos escritores mantêm-se com uma linguagem simples e direta.

O que muitos escritores não percebem é que a beleza de um texto não tem a mera função de embelezamento. Não é uma utilidade meramente estética. Escrever um texto que soe bem aos ouvidos, que agrade os olhos, que possa ser chamado de belo é uma forma também de conquistar o leitor.

Um texto construído com elegância ganha musicalidade, frases bem montadas soam agradáveis. Além disso, quem escreve bem acaba visto como autoridade. Tudo isso ajuda na conquista para o convencimento.

Obviamente, o tratamento estilístico de um texto deve ser feito com bom senso e moderação. Escrever como um Padre Vieira ou Rui Barbosa pode soar artificial e ter um efeito desagradável sobre quem lê. Quem faz isso pode apenas parecer excêntrico.

Por isso, o escritor deve encontrar o ponto certo entre a leveza da comunicação direta e a riqueza de um construção bonita. Afinal, achar o equilíbrio entre a agradabilidade do fácil e a exuberância do belo está toda a arte da escrita.

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