Sinceridade de um cão

“Sinceridade é algo muito bom. Porém, sinceridade, sem a devida reflexão, é apenas impulso. E do impulso se pode dizer que é espontâneo, não sincero. Sinceridade pressupõe a vontade consciente de ser verdadeiro. Portanto, quando alguém diz que é sincero, apenas porque costuma falar tudo “na cara” de todo mundo, sem pensar, sem ponderar, não está sendo muito diferente de meu cachorro, que late para estranhos, sempre com muita sinceridade”.

Pequenos ditadores

É interessante e, ao mesmo tempo, assustador como o moralismo puritano, tão criticado por aqueles que se dizem defensores das liberdades, está sendo revivido por eles, porém, agora, em uma versão muito mais perigosa, pois, enquanto o antigo puritanismo tinha uma base clara onde delimitava suas ações, a saber, a Bíblia, o novo moralismo é imposto a todos conforme o gosto do acusador, segundo suas mais íntimas percepções e seus mais idiossincráticos entendimentos. Assim, ninguém está a salvo diante de tantos pequenos ditadores.

Rebelde moderno

Muito da rebeldia moderna resume-se à contestação da sociedade, usando dos meios fornecidos por essa mesma sociedade e sobre os fundamentos postos por ela. Pior ainda, esse rebelde se nega veementemente a abandonar tudo aquilo que a sociedade lhe legou, sem abrir mão de seu direito de reclamar dela . Ele é como o filho que amaldiçoa a riqueza do pai, sem ele mesmo arrumar um emprego e vivendo às custas da família.

A função da religião

“Muito da vida religiosa é uma insistência em autoafirmações com o intuito de fortalecer a própria fé, para convencer a si mesmo que algo faz sentido, apesar de tudo indicar o contrário. E talvez seja essa mesma uma de suas funções: ajudar a pessoa a superar a realidade que parece insuportável”.

Justa homenagem

“Sou contra a retirada do nome de Paulo Freire do posto de patrono da educação brasileira. Na verdade, acho a homenagem justíssima. Isso porque ela coloca sobre o verdadeiro culpado a responsabilidade pelo que se tornou o ensino no Brasil. Eu é que não gostaria de ter meu nome vinculado ao analfabetismo funcional que reina no país”.

Anedotas dos velhos impérios

Permitir que dezenas de pessoas sejam mortas por vagabundos armados com meras facas, simplesmente por proibir seus cidadãos de carregarem suas próprias armas de defesa, deveria ser considerado motivo de vergonha extrema para um país que já foi um Império mundial, no qual o sol nunca morria. A pátria deveria proteger seus filhos, não lançá-los como cordeiros ao matadouro. Na verdade, Inglaterra e França tornaram-se anedotas de si mesmas. Se antes, franceses e ingleses, podiam andar altivos, sabendo que faziam parte de nações que impunham respeito em todo o mundo, agora correm como gazelas, fugindo de qualquer moleque que grite “Allahu Akbar”.