Aristóteles abre sua Metafísica com uma afirmação célebre: “Todos os homens, por natureza, desejam conhecer”.
À primeira vista, essa máxima parece colidir com a nossa experiência cotidiana. Olhamos ao redor e não vemos uma multidão ávida por erudição. Pelo contrário, testemunhamos o desapreço pelo saber: poucos leem com constância, poucos estudam com rigor e raros são os que buscam a essência das coisas.
Diante desse cenário, restam-nos duas conclusões: ou o meio em que Aristóteles vivia era tão distinto do nosso que sua universalização ficou datada, ou ele se referia a algo diferente do que hoje entendemos por “conhecimento”. A segunda hipótese é a mais provável.
Um indício social de que Aristóteles tinha razãoé o fato de que ninguém, por mais desinteressado que pareça, gosta de ser chamado de ignorante. Ora, se o contrário do que é rejeitado universalmente deve ser desejado universalmente, o conhecimento deve ser querido por todos.
A justificativa de Aristóteles para esse apreço pelo conhecimento é o fato de que, sem os sentidos, viveríamos isolados em nossa penumbra interior. Assim, eles têm a função de nos fazer interagir com o mundo, funcionando como uma ponte entre nós e ele. E como quem se encontra no escuro anseia por luz, assim também nós desejamos a realidade.
Tanto que, entre todos os sentidos, preferimos aquele que nos permite uma mais ampla e detalhada absorção da realidade: a visão. Portanto, nossa estrutura fisiológica fundamental nos impulsiona a querer captar os dados do realidade e trazê-los para dentro de nós – o que representa, de fato, um anseio por conhecer.
Por isso, o ponto central não é se queremos conhecer, mas o que queremos conhecer. A questão é sobre o que nos interessa e que vai nos impulsionar a querer saber mais sobre isso. Até porque onde reside o interesse, ali será injetada a energia do aprendizado — seja em filosofia, artes, literatura ou jogos, diversões ou mesmo a vida dos outros
O grande desafio educativo e humano, então, não é despertar um desejo que já é natural, mas sim elevar o interesse para as coisas mais nobres e importantes. Até porque o objeto do interesse é o que vai definir a qualidade da inteligência.