Em 2005, no meu aniversário, reuni amigos em casa e, enquanto confraternizávamos, subi em uma cadeira para ler o primeiro texto do meu blog, Discursos de Cadeira, intitulado “Meus 30 anos”.
Considerava aquele momento crucial. Como escrevi na época: “nem tão novo que possa ser traído pelos arroubos da leviandade, nem tão velho que possa ser impedido pelo cansaço”. Hoje, aos 50 anos, tornei-me menos leviano e, surpreendentemente, menos cansado.
Naquela época, precisava afirmar-me como alguém de pensamento autônomo. Destaquei que não seria “político” e que expressaria minhas opiniões com liberdade. Nestes vinte anos, escrevi e falei sobre tudo o que considerei relevante. Marquei posição, refleti e, principalmente, aprendi muito ao compartilhar meus pensamentos. Como sugeria Aristóteles, é ensinando que se aprende.
Naturalmente, não corroboro hoje, sem ressalvas, tudo o que expressei nesse percurso. Como esperado, evoluí. Superei certas posições, mudei outras e aprimorei tantas mais.
Mas o que mudou? Respeitando o que propus naquele aniversário, segui pensando com liberdade, buscando a verdade e assumindo a responsabilidade por isso. Ao adotar a postura de um livre-pensador — expressão que causa ojeriza em muitos —, forjei o meu caráter.
Aos 50 anos, sei quem sou, o que faço neste mundo e para onde pretendo ir. Esta é a maior conquista que o tempo me deu: saber o meu lugar no cosmos. Tornei-me uma pessoa sem amarras.
Sem desprezar as ideias estabelecidas, permiti-me uma perspectiva ampla sobre elas. Tenho convicções sólidas, mas prefiro manter espaços abertos para a ponderação.
Hoje, não dou satisfações do que penso a ninguém, exceto a Deus, à minha esposa e à minha consciência. Se aos 30 eu reivindicava a liberdade, aos 50, a exerço plenamente. Se antes a autonomia era uma questão crucial, hoje ela está pacificada. Atualmente, só me preocupo com o que fazer com ela.
Espero, então, aproveitá-la para desenvolver o meu espírito para que, ao fim, eu possa dizer que cumpri bem a minha carreira. Sinto como dobrando a última esquina, tomando a estrada derradeira — curta ou longa, não importa —, ciente de que esta é a trilha definitiva para o estabelecimento da minha alma.
Muito obrigado, Zilamar!
Parabéns professor Fabio muitos muitos outros anos de vida dessa forma ou claro como os anos nos mostram com mais sabedoria e graça!