A certeza dos relativistas Sobre a confusão que se faz entre dúvida e relativismo

Há uma confusão que reside na mente de alguns iluminados que se consideram exemplos de fé inabalável: entender o vacilo do outro como relativismo. Insensibilizados pela própria arrogância e confundidos pela própria ignorância, acusam quem mostra algum tipo de hesitação, tipicamente humana, de serem propagadores de relativismo.

No entanto, relativismo não se confunde com dúvidas ou vacilos de fé. Enquanto estes se manifestam por situações relativas à experiência, como algum tipo de frustração ou pessimismo, o relativismo caracteriza-se por uma certeza intelectual: a de que tudo é relativo.

O relativismo é, de fato, uma convicção. Quem o defende, acredita, com absoluta certeza, que nada é absolutamente certo. E por mais que isso seja autocontraditório, é a realidade do pensamento do relativista.

Porém, entender que a certeza relativista é equivocada não significa que a única alternativa viável seja a certeza plena sobre todas as coisas. A convicção de quem está certo sobre tudo é tão frágil como a do próprio relativista.

A verdade é que a experiência humana é sujeita a diversas nuances, a graus de certezas variáveis e à realidade inescapável das alterações em relação às convicções que temos em relação aos objetos de nosso conhecimento. E mesmo a fé religiosa não é absoluta. Pelo contrário, ela sofre graus de variações, que é exatamente o que permite que se trabalhe para fortalecê-la. Se a fé fosse tudo ou nada, se simplesmente a tivéssemos ou não, não faria nenhum sentido pedir a Deus que a confirmasse ou a firmasse e não teria nenhum sentido o próprio Cristo dizer acusar seus discípulos de homens de pouca fé. O que pode ser pouco, pode ser muito, pode ser mais ou menos.

Acusar, portanto, alguém que possui incertezas e que talvez não consiga vivenciar plenamente sua fé, a ponto de não possuir dúvida alguma nessa área, de relativista, é um erro conceitual e também uma tremenda insensibilidade.

Pessoas que demonstram suas incertezas não são relativistas. Aliás, nem poderiam ser, afinal, sob um determinado ponto de vista, os relativistas não têm dúvidas.

O direito da religião à intolerância

Homem_pregando.jpgA tolerância é o fim de qualquer concepção religiosa. Quando a religião perde o direito de acusar as outras, de ver-se como a única resposta viável para existência, deixa de ser religião e passa a ser filosofia. Por isso, quem pretende manter seu direito a ser religioso, a seguir uma fé, a acreditar que o que sua doutrina ensina é verdade absoluta, não pode aceitar a imposição que se tenta colocar sobre a religião. Esta só permanece sendo o que é se preservar seu direito à intolerância.

É que, de fato, tolerar é um ato bastante superficial. Significa, simplesmente, permitir, ainda que contrariado, que aquele que pensa diferente subsista. A tolerância não é um ato de amor, nem de concordância, nem de apoio. É apenas uma atitude de indulgência, perante algo que preferiria não existisse, mas que não se pode impedir. Na verdade, a tolerância é a declaração do erro alheio, acompanhada da complacência em relação a sua existência. Ou seja, ser tolerante não tem nada daquela atitude magnânima que muitas pessoas imaginam. Pelo contrário, é uma declaração de fé, junto a uma acusação de erro, junto a uma atitude de condescendência. Continuar lendo

A vantagem do relativista no debate

Quem já teve a infeliz experiência de discutir com alguém que defende qualquer uma dessas ideologias relativistas que existem no mercado das ideias, é bem provável que, ao final do debate (se é que houve final, pois a discussão com essa gente nunca acaba), tenha tido aquele sensação de frustração, típica de quem faz um grande esforço por nada.

Também pode ter ingressado na discussão certo de que seus argumentos eram infalíveis, pois haviam sido testados diversas vezes, tanto na própria cabeça como pela boca de muitos amigos e, quando colocados à prova, perceberam que aquela força que eles aparentavam ter anteriormente simplesmente havia sumido.

A coisa é tão frustrante que muitos começam até mesmo a duvidar daquilo que defendiam, acreditando mesmo que não eram verdades tão evidentes como pareciam.

O que eles não percebem, porém, é que, em muitos casos, o que aconteceu é que não havia como ter sucesso nesse tipo debate, de maneira alguma. Isso porque, do outro lado, estava alguém que ingressou na discussão não para confrontar ideias, mas para vencer a batalha, usando de qualquer artifício que estivesse disponível para isso.

No entanto, isso apenas é possível quando o conteúdo do que defende não tem relação com alguma verdade imutável e pode ser alterado sem, com isso, causar qualquer tipo de espanto.

E as ideias relativistas são exatamente assim: têm o poder da transformação, não se apegam a nada fixo e podem, ao mesmo tempo, se posicionar em qualquer um dos pólos do debate.

Se o adversário, em uma discussão, tem o privilégio da plasticidade, enquanto você defende teses imutáveis, ele certamente levará vantagem. Se, em um momento, por exemplo, ele pode dizer que é a favor da democracia, e em outro defender uma tirania qualquer, em nome daquela mesma democracia, de que adianta tentar mostrar que a democracia é algo bom e deve ser defendida?

Por isso, o debate com um relativista jamais pode estar circunscrito unicamente à lógica, nem à coerência, nem à tentativa do convencimento em relação à verdade. Fazer isto é jogar o jogo dele, dando-lhe o que ele quer, que é espaço para impor a sua narrativa do momento.

Portanto, a principal tática em uma discussão com um relativista é a busca de sua humilhação. E isso só é possível expondo suas mentiras, mostrando que a despeito de sua retórica sofística, o que encontramos é uma infinidade de contradições intrínsecas em tudo o que ele expõe.

A posição dúbia dos modernistas ante o terrorismo

piano-e-terrorismoAtaques terroristas como o ocorrido em Paris, há alguns meses, ou como o de Orlando, agora, acontecem porque a sociedade laicista prefere fechar os olhos para a realidade da violência islâmica, tudo por causa de seu comprometimento com o multiculturalismo e com a oposição aos princípios judaico-cristãos.

É interessante como, quando começam as pessoas a criticar o Islã, por seus preceitos que autorizam os atos de violência, os primeiros a se manifestar contra uma eventual islamofobia não são religiosos, mas exatamente os laicistas, relativistas e modernistas em geral. Continuar lendo