A autodefesa da grande imprensa

Para a grande mídia, as Fake News são sempre as dos outros. Isso ficou muito claro, para mim, quando eu li o livro do jornalista inglês, Matthew D’Anconna, chamado Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News. O pressuposto desse livro é muito simples: o que a mídia tradicional publica é verdade; o que a contraria, falso. Para essa imprensa oficial, que se considera a única e verdadeira, tudo o que não sai de suas próprias prensas é tido por suspeito de antemão.

E, hoje em dia, seu alvo principal tem sido as mídias independentes que surgiram, principalmente, com o advento da internet, e vêem fortalecendo-se a cada dia, começando a serem vistas como um risco à sobrevivência dos jornais tradicionais.

O certo seria, então, que a grande mídia fizesse uma autocrítica, tentando entender as razões porque vem perdendo terreno para o jornalismo avulso. Porém, faz autocrítica quem pretende honestamente rever suas atitudes, e o que estamos testemunhando é uma imprensa desonesta, que tem mentido, distorcido e omitido deliberadamente.

Chega a ser revoltante ver esses jornalões, que vem lançando mão de todas os meios possíveis para enganar seus leitores, com notícias tendenciosas e opiniões enviesadas, acusar as mídias alternativas de praticarem Fake News.

Mas, de certa maneira, tudo isso é compreensível. O ataque da grande mídia às mídias independentes não passa de um ato de autodefesa.

A imprensa tradicional não quer perder o seu poder. Basta ver que, até aqui, foi ela quem deteve o monopólio da narrativa. Foi ela que sempre determinou quem eram os heróis e quem eram os vilões da história. Com isso, obviamente, ela cometeu terríveis injustiças. Mais ainda, ela dirigiu a cultura do país para onde quis – e o que ela quis não está exatamente de acordo com o que as pessoas comuns querem também. E o que ela pretende é manter-se como a direcionadora do pensamento nacional. O problema, porém, é que a profusão de mídias independentes está furando esse bloqueio, apresentando narrativas alternativas, colocando em discussão o viés da grande mídia e desmentindo muito do que ela vinha contando ao público há muito tempo.

Esconder as próprias mentiras, nesse caso, passa a ser uma questão de sobrevivência. Quando ela, então, acusa as pequenas mídias de serem propagadoras de Fake News, na verdade, está desviando a atenção do leitor de suas próprias artimanhas.

Isso porque, essa grande imprensa, aproveitando-se da credibilidade que adquiriram em sua existência secular, tem abusado dos recortes dos fatos, da omissão de dados, das conclusões sem fundamento, do enviesamento da notícia, quando não da prática da mentira pura e simples para destruir seus inimigos escolhidos. Seu reconhecimento como, ainda,  fonte idônea de informações, tem servido como escudo nessa guerra suja que promove.

Quando esses jornais acusam as mídias independentes de falsificadores de notícias, o que eles estão tentando fazer, na verdade, é esconder suas próprias mentiras. Quem acompanha, de forma isenta, a atuação desses grandes jornais nos últimos anos e, mais especialmente, nas eleições americanas e, agora, em nossas eleições aqui no Brasil, vê claramente o quanto eles têm agido de maneira bem pouco fiel à verdade dos fatos. As pessoas estão percebendo isso e, para tentar livrar-se das acusações, o melhor a fazer acaba sendo usar a tática já bem conhecida de acusar os outros daquilo que ela mesmo faz.

No fundo, o que a grande mídia quer é eliminar a concorrência nestes novos tempos quando se sente ameaçada pelas novas formas de comunicação – a qual, digamos, ela ainda não conseguiu se adaptar. É que as mídias independentes estão tornando-se, gradativamente, as fontes preferenciais dos leitores. Não estando presas às determinações editoriais de redações tomadas por militantes ideológicos, nem submetidas aos interesses de proprietários historicamente comprometidos com o poder estabelecido, elas sentem-se livres para apresentar as notícias de uma maneira muito mais dinâmica e imparcial. E os leitores percebem isso e começam a escolhê-las como as suas fontes preferenciais de informações.

Obviamente, tudo isso tem deixado os jornalões desesperados e tentar destruir aqueles que os ameaçam é o que lhes resta. E espalhar que são os outros que estão disseminando Fake News é a maneira mais óbvia que eles escolheram para tentar sobreviver e ocultar seus próprios pecados.

Velhos heróis, velhas raposas

Aqueles que direcionam a agenda cultural e política do Brasil, mesmo após mais de três décadas do fim do governo militar, insistem em lançar-se em um revisionismo histórico daquele período, mantendo uma obsessão por mostrar ao público o quanto os militares eram maus e eles mesmos, os revolucionários, vítimas perseguidas. Em vez de olharem para a frente – o que seria esperado de quem está no poder há, pelo menos, vinte anos -, insistem em permanecer com a mesma retórica e o mesmo discurso do tempo em que eram guerrilheiros, quando lutavam contra o poder constituído.

Essa atitude, porém, não ocorre pelo sincero objetivo de passar a história a limpo. O que eles querem, ao não permitir que 1964 termine, é manter viva a narrativa montada naquela época, pela qual são apresentados como heróis, mesmo que fossem meros guerrilheiros. O objetivo é, principalmente depois que ficou comprovado o quanto suas ações no governo foram caracterizadas pela corrupção e pela destruição das instituições do país, manter uma imagem positiva, não deixando que aquela aura heróica seja esquecida.

Não que tenham sido heróis de verdade – muito pelo contrário! – mas essa tem sido a história contada por eles mesmos aos brasileiros. São, pelo menos, três gerações que cresceram ouvindo que aqueles militantes – muitos deles terroristas –  lutavam pela liberdade e pela democracia enquanto eram caçados pelos malvados militares.

Só que o tempo passou, e os velhos ativistas tomaram o governo. E ficou claro que esses hoje velhos e decrépitos não passam de corruptos sedentos pelo poder. Assim, a única maneira de salvar algum tipo de admiração por eles e manter sua influência no debate político e intelectual acaba sendo não deixar que a velha narrativa morra.

Isso explica essa insistência por, em pleno encaminhamento para o final do primeiro quarto do século XXI, ficarem resgatando as histórias de quarenta ou cinquenta anos atrás, como se o país não tivesse mais nada com que se preocupar senão com os fatos ocorridos naquele tempo.

O que está claro é que o Brasil precisa olhar para a frente, mas está sendo impedido por essa gente que nos prende ao passado, com o único intuito de sobreviver, eles mesmos, como personagens relevantes da cultura brasileira.

Já passou da hora de superarmos essa situação, mas isso só será possível superando as velhas raposas que insistem em manter-nos presos no tempo, apenas para continuarem dando as cartas na política do país.

Os grilhões que nos prendem

Um país que pretende superar suas mazelas e ingressar de vez em tempos de prosperidade e estabilidade precisa olhar para a frente, tomando o passado como lição, mas não como o determinador de todos os seus caminhos.

O Brasil, porém, está com uma bola pesada amarrada aos pés, enquanto seus formadores de opinião e políticos vivem como se ainda estivéssemos nos anos sessenta.

A geração que hoje representa a intelectualidade influenciadora do seio da política nacional e a grande mídia é formada toda por ex-guerrilheiros e combatentes de esquerda que, vendo a si mesmos como guerreiros contra uma ditadura, consideram-se os personagens responsáveis pela restauração da democracia no país.

A consequência direta disso é que , ao mesmo tempo que apresentam-se como os paladinos do Estado de Direito, perseguem aqueles que se encontram do outro lado do espectro político – conservadores, militares, direitistas e anti-esquerdistas – como criminosos.

Com isso, assumem o monopólio da política, abrindo a possibilidade para que aconteça o que testemunhamos nas últimas décadas: a dilapidação do patrimônio e a corrosão das instituições brasileiras.

E para que esse status permaneça, preenchem a todos os espaços da República, afastando a qualquer um que ameace suas posições. Fazem isso não deixando que o período do governo militar brasileiro, com a mentalidade característica daquele tempo – de jovens ativistas deslumbrados com as falsas promessas de um paraíso comunista lutando contra generais toscos que sabiam que sua missão era não deixar o país seguir os mesmos caminhos de Cuba – passe.

O que ficou hoje, depois que os antigos militares já não estão mais entre nós, são aqueles garotos e garotas militantes, agora decrépitos e envelhecidos, infiltrados em todas as esferas do poder, sem conseguir, nem querer, superar 64 – e menos ainda 68 – vivendo quase exclusivamente pelo desejo de vingança e ressentimento, acreditando-se possuidores de um salvo-conduto que lhes permite falar e fazer todas as barbaridades.

Por isso, tenho a convicção de que enquanto essa geração de órfãos da Guerra Fria não passar ou, pelo menos, for derrotada política e intelectualmente, o Brasil não conseguirá seguir em frente. Ela é nosso retrocesso, o nosso impedimento, os grilhões que nos impedem de prosseguir.

Enquanto forem essas pessoas que ditarem a pauta política e determinarem a agenda do país, ficaremos reféns de sua visão retrógrada e impossibilitados de avançar como povo, como nação e como sociedade.

Concorrência na falsidade

As grandes corporações de mídia não estão incomodadas com a profusão de notícias falsas, por causa da essência enganadora que estas possuem. O que as está incomodando é sua perda do monopólio de mentir descaradamente e manipular à vontade seus leitores.

As pequenas mídias mentirosas fizeram, sem querer, um grande serviço. Trouxeram à tona a forma mentirosa como quase toda a imprensa trabalha.

O leitor, que antes acreditava em tudo o que a grande mídia dizia agora não acredita em mais ninguém. Além disso, passou a desconfiar inclusive daquela que antes era tida por fonte fidedigna de informações, mas que está cada dia mais claro que não passa de porta-voz dos interesses de seus patrões.

O choro pelo monopólio perdido

Você sabe por que hoje tem-se a impressão de estar havendo uma polarização, uma briga entre lados opostos? Simplesmente, porque nós vivemos tanto tempo presos sob um monopólio de informações e opiniões que, quando começam a aparecer ideias contrárias aquelas que pareciam ser as únicas, a impressão que se tem é de que vivemos um momento de intensificação das contrariedades, quando, na verdade, o que estamos vivendo é apenas a normalidade da diversidade.

No entanto, basta um olhar um pouco mais atento para perceber que aqueles que mais dizem querer diversidade são exatamente aqueles que não sabem viver sob ela. Mimados que foram por mais de três décadas de uniformidade na linguagem, estão assustados com a constatação de que há ideias fortes e contundentes do outro lado. Pior, ideias que vão ao encontro do pensamento e anseio das pessoas comuns, que sempre foram os leitores dessa imprensa monopolista e que agora começam a migrar para outros veículos independentes.

Não é por acaso que esses velhos escravizadores das notícias tentam passar a imagem de estar havendo uma radicalização, uma afronta ao debate civilizado. Como eles não sabem viver sob o contraditório, tentam fazer parecer que essa profusão de notícias diferentes não é a mera expressão jornalística livre, mas um ataque à liberdade de expressão.

O fato é que quando havia apenas vozes, em uníssono, falando sempre as mesmas coisas, defendendo a mesma visão de mundo, elegendo seus heróis e criando seus vilões, tudo de acordo com a ideologia que lhes dava sustentação, para eles estava tudo bem. Quando havia uma concentração de ideias, que fazia com que apenas uma visão de mundo fosse exposta, ninguém falava nada. Bastou, porém, pensamentos diferentes e contrários aqueles que sempre foram ditos começarem a aparecer e o esperneio passou a ser geral.

A verdade é que esses que reclamam não querem democracia coisa nenhuma. O que eles querem é o retorno do antigo monopólio. O que eles querem é impedir que ideias diferentes das suas circulem livremente e atinjam, como têm atingido, cada vez mais leitores. Até porque eles sabem que a força de verdade, que não está do lado deles, é irresistível para a maioria das pessoas.

Manipulação em pele de respeitabilidade

lobo-em-pelo-de-cordeiroOs grandes veículos de comunicação estão profundamente comprometidos com uma visão de mundo completamente diferente da maioria das pessoas. E eles não se contentam em apenas acreditar de forma diversa, mas, cientes de suas força, usam seu alcance para causar verdadeiras mudanças na sociedade. Eles apenas não são mais explícitos quanto a isso, pois, se fossem, perderiam seu poder de influência. Como concluiu o professor Leon Festinger, depois de uma das suas experiências: “Se as pessoas não esperam que uma fonte de informação produza cognição dissonante, a informação terá maior impacto“. Portanto, ninguém deve se iludir com alguma fachada de respeitabilidade que alguns desses jornais e revistas ainda pareçam ter. Ela é apenas uma forma de não desvendar a verdadeira intenção que possuem.

O que o Brexit mostrou sobre a mídia

BrexitA decisão do povo britânico pela saída da União Europeia está deixando em polvorosa muita gente que, até ontem, parecia defensora apaixonada da democracia e contra o centralismo autoritário. Agora que o Brexit venceu, o que eu mais tenho visto são analistas de mídia tratando a decisão do Reino Unido como uma loucura e até parece, segundo o que eles têm dito, que a Inglaterra vai entrar em um período de trevas e a depressão econômica será inevitável. E não são apenas aqueles jornalistas mais esquerdistas que estão inconformados com o resultado do referendo. Muitos liberais e ditos direitistas estão se lamentando copiosamente pelo que aconteceu. Continue lendo

Nem a verdade flagrante convence os experts da mídia

Analisando seus próprios números, a mídia nacional, que é culturalmente progressista, vê que precisa fazer algo para salvar-se. Seus leitores e espectadores diminuem progressivamente. Seus jornais circulam cada vez menos e suas novelas minguam sem audiência.

E como eles são geniais, logo encontram a solução: ao invés de apresentar o telejornal sentado, agora o jeito é andar pelo estúdio; mudar a fonte das letras do periódico e dar uma ajeitada no logo da empresa serão mais atrativos; que tal agora a novela ter cara de filme, com trailer e tudo?

O que esses sábios não entendem é que o problema não está na forma, mas no conteúdo. Será que não vêem que os dois jornalistas mais conceituados do momento são explicitamente anti-esquerdistas, que o pensador que vende mais livros é um direitista declarado, que o apresentador de talk show mais visto é um que fala o tempo todo mal do PT e que a revista que vende mais é aquela que mais ataca o atual governo?

Infelizmente, para os experts midiáticos, eles passaram a vida toda embevecidos em uma ideologia que tomou-lhes a alma, fechando seus olhos para a realidade, mantendo-os presos em sua imaginação iludida, que ainda acredita que Fidel, Marx e Mao são tutto buona gente. Assim, por mais que a verdade os esbofeteie a cara, continuam insistindo em seguir sua visão retrógrada de mundo e colhendo os frutos dessa obtusidade.